sábado, dezembro 28, 2019

Demorou mas chegou: é o texto de fim(!) de ano do Mazza!

(for English, scroll down!)

🇧🇷Senta que lá vem textão de fim de ano do papai Mazza. Esses 12 meses passaram como um sopro e muita coisa aconteceu na Austrália, no Brasil, no resto do mundo e na vida de todos, então vamos tentar manter a contagem de palavras sobre controle pra ninguém ter que perder muito tempo na rede social. 

O que acontece no mundo virtual é sempre maquiado pelos algoritmos que mantém a gente na nossa bolha, e sempre reforçam as nossas crenças e o que a gente acha que sabe sobre o mundo. Quando isso acontece, temos absoluta certeza que a nossa voz é a da maioria, que nossos pares pensam como nós e temos a validação da nossa maneira de ver o mundo, seja ela humana ou não. O que não aparece depois nessa vida virtual são as consequências de escolhas que fizemos e que vamos fazer – nos cliques, nas postagens, nas urnas, nas interações, nas discussões, nas ações – porque a timeline nunca vai mostrar o todo, principalmente quando esse todo é manipulado (conspiradores, uni-vos!) pelos mesmos algoritmos somados as agências, siglas, grupos, veículos ou o que quer que você queira acreditar que manda na informação hoje em dia. Talvez todas as anteriores.

A mensagem desse ano é simples mas vem cheio de responsabilidade, algo que, na minha opinião, falta no mundo hoje. Segura: SEJA O RESPONSÁVEL PELA SUA FELICIDADE. Não tem meias palavras, não tem figura de linguagem, não tem anagrama. É a forma mais crua que achei pra sugerir que todos nós assumamos a responsabilidade por (re)direcionar nossa vida ao invés de esperar que líderes despreparados, sem caráter e sem interesse em melhorar a vida do coletivo o façam. Talvez a esperança inata de que ainda haja gente boa no mundo, somada a indústria de filmes norte-americana e uma pitada de religião – veja bem: a palavra é religião, não fé – mantenham a gente refém a esse ideal utópico de que um “salvador da pátria” virá pra consertar os males do mundo e da nossa vida, e só então a gente vai ser feliz. Convenhamos: a liderança de hoje, na esmagadora maioria dos postos importantes – privados, públicos, governamentais, religiosos, todo lugar – tem uma mentalidade retrógrada, pequena, anti-humanista e que só defende os próprios interesses. São os sociopatas que precisam de validação no cargo, na conta bancária ou no ego pra compensar qualquer que seja o complexo que os aflige, e esse geralmente só é satisfeito (será que se resolve mesmo sem a ajuda de um profissional?) pisando em quem não percebe o problema.

Eu realmente acredito que em algum momento do nosso futuro próximo as instituições formadas pra manter a ordem e o progresso terão que ruir pra dar lugar a algo melhor, ou pelo menos algo menos pior. Daqui da minha cadeira – paradoxo, certo? Eu sei – isso só acontecerá se indivíduos bem preparados, bem resolvidos e com um ideal comum consigam juntar a coragem, a determinação e a invenção suficientes pra achar uma maneira de fazê-lo. Indivíduos como esses, dispostos a colaborar por um bem maior enquanto sacrificam um interesse pessoal, não acontecem por acaso e são formados como diamantes: sob imensa pressão e durante um período relativamente longo de tempo. Essa pessoas raramente deixam o seu destino nas mãos de gente menos capaz, menos motivada e muito menos honesta, simplesmente porque tem perspectiva o suficiente pra entender que o plantio é opcional mas a colheita é obrigatória, então tomar decisões difíceis, trilhar caminhos tortuosos, investir tempo e esforço no trajeto sinuoso (mas eticamente correto) levam ao fim do arco íris, mas não necessariamente ao pote de ouro. Aceitar (ou não) essa diferença sutil é algo que nem todo mundo está preparado pra fazer, então a gente terceiriza as decisões sem ter consciência disso e espera que dê certo.

Já escrevi sobre isso antes: felicidade pra mim não é formada por grandes acontecimentos, são os pequenos momentos felizes do dia a dia que pintam esse quadro multicolorido que a gente considera uma vida feliz. Essa é a principal razão pela qual é arriscado terceirizar a responsabilidade de alcançar essa felicidade diária pra alguém que, na maioria das vezes, não tem consciência do impacto que o seu egoísmo causa em larga escala e só se preocupa em satisfazer as próprias neuroses (os caras que eu mencionei aí em cima, lembram deles?). Eu acredito de verdade que se a gente assumir as rédeas das situações que estão sob o nosso controle dá pra mudar o nosso mundo. Essa decisão tem um impacto imenso no resto do mundo, mas a gente acha que é insignificante e esquece que não dá pra gerar mudança em larga escala sem mudar um pouquinho de cada vez. Mude a direção do leme pra chegar em outro lugar: nada marcante acontece de imediato, mas no longo prazo a diferença é fantástica. 

Pra finalizar acho que o que a gente tem que lembrar é que, assumindo a responsabilidade pela nossa vida, dá pra ser feliz sozinho – leia-se “sem a ajuda do cavaleiro no cavalo branco” – e, de quebra, ainda dá pra tornar obsoletos os idiotas no comando mais rápido do que a gente pensa. Parece inatingível mas não é: somos muitos, a proteção que “eles” tem é reforçada por instituições criadas por nós mesmos e a história nos mostra que essas instituições já foram derrubadas muitas vezes. Um povo responsável pela sua própria felicidade é muito mais forte do que imaginamos, simplesmente porque os “poderosos” não tem com o que nos ameaçar. Tirou? A gente vive sem. Colocou? A gente usa. Machucou? Daqui a pouco cura. Curou? A gente fica mais forte. Gente responsável pela própria felicidade não esmorece e não se intimida porque sabe que a resposta não está lá fora, está aqui dentro. E é olhando pra dentro que a gente acha a luz e a força necessárias pra começar essa revolução da mente, sem precisar de nenhum messias pra nos salvar.

Feliz Ano Novo!


🇦🇺Time for Ed’s End of the Year rant. These past 12 months flew by and a lot has happened in Australia, in Brazil, around the world and in everyone’s lives, so let’s try to keep the wordcount to a minimum so that we don’t spend too much time social networking. 

What happens online is always masked by algorithms that keep us in our bubble, and it always reinforces our beliefs and what we think we know about the world. When that happens, we become absolutely sure that our voice is in line with the majority, that our peers are on our side and it ends up validating our views on the world, no matter how right or wrong it is. What doesn’t seem to appear online are the consequences of our past and future choices – when we click(ed), post(ed), vote(d), interact(ed), discuss(ed) act(ed) upon – because our timeline never shows us the whole picture, especially when that picture is manipulated (conspiracy theorists, unite!) by the same algorithms and agencies, acronyms, groups, media outlets or whatever you wish to believe controls the information nowadays. Perhaps all of the above. 

This year’s message is simple but comes with a call to action that, in my opinion, is missing nowadays: MAKE YOUR OWN HAPPINESS. There’s no clever anagram, no beating around the bush. It is the rawest way to suggest that we should all take responsibility for the direction in which our lives are headed instead of waiting for a two-faced underprepared “leader” (who couldn’t care less about the collective wellbeing, by the way) to do it for us. Perhaps the hope that there are still good people in the world, fueled by a sprinkle of Hollywood and religion – please notice: the word is religion, not faith – holds us hostage to this utopic ideal that a hero will come and fix everything we fell is wrong with the world and our lives, and only then we’ll be able to be happy. Let’s face it: today’s leadership roles, in their vast majority – private and public sector, government, religion, everywhere – tend to think backwards and only focus on their own agenda, rarely thinking about the general public. They’re mostly sociopaths that seek validation through their job, bank account or ego to compensate for whatever complex they suffer of. Instead of owning up to it and seeking professional help, they’d rather step on the little guy to make themselves feel superior. 

I really do believe that sometime in the near future, institutions created to maintain order and guide progress will fall to make way for something better, or at least something not as horrible. From where I’m seating – paradox, right? I’m aware, don’t worry – this will only happen if well-prepared individuals come together with a common goal and can muster the courage, determination and creativity to find the way to do this. This kind of people that are willing to collaborate for the greater good while sacrificing their individual needs don’t come by often, and they’re forged like diamonds: under immense pressure for a long period of time. These guys rarely place their destiny in the hands of people that are less capable, less motivated and a lot less honest simply because they know better and understand that you reap what you sow, so hard decisions, difficult paths, time and effort lead to the end of the rainbow, but not necessarily to the pot of gold. Accepting or rejecting that subtle difference is something not everyone is prepared to do, so we tend to (unknowingly) outsource those decisions and hope for the best. 

I’ve said this before: happiness to me is not based on big events, it’s the day to day moments that add to this multicolored experience we call life. That’s the main reason why it’s so risky to outsource responsibility for these daily happy moments to someone that, most of the time, has no real perception of what their selfishness generates on a larger scale and is only concerned about feeding their own neurosis (the same gentlemen I mentioned earlier, remember?). I truly believe that taking charge of the situations under our control allows us to change our existence. This decision deeply impacts the rest of the world, but for some reason we deem it insignificant and forget that we can’t affect change in a larger scale without focusing on small but consistent changes. Adjust your helm and you’ll end up in a whole different place – nothing major will happen right away, but long-term results will be remarkable. 

In summary: we need to keep in mind that, by taking responsibility for our lives, we can be happy on our own – no need for a hero to save us – and, as a bonus, we can make the idiots in charge obsolete quicker than we think. It seems far-fetched but bear with me: there are a lot of us, their protection is provided by institutions we created and history shows us that we’ve overthrown similar institutions many times. When people are responsible for their happiness, it makes them a lot stronger simply because the idiots in charge lose their leverage and threatening us becomes much harder. Took it away? We’ll live without it. Forced it in? We’ll use it. Made it hurt? It’ll pass. It healed? Now we’re more resilient. People in charge of their happiness don’t fade away and are not easily intimidated because they know salvation lies within, not out there. It is by looking inwards that we find the light and strength necessaries to start this revolution of the mind, and there is no need to wait for the Messiahs of the world to save us. 

Happy New Year! 

É o texto de final de ano do Mazza! Em 2017, você curtiu muita coisa?

(for english scroll down, pra português é só continuar lendo! 😉)


🇧🇷 Fim de ano, festas, férias e textão do papai Mazza. Se eu não me engano isso já acontece há 10 anos, então pode colocar no rol de tradições natalinas junto com a piada do pavê e a uva passa no arroz. Só espero que o texto gere menos controvérsia que a uva passa, visto que foi inspirado pelo meu Feed de noticias da rede social do titio Mark.


O ano passou a galope, como é de se esperar pra um pai de primeira viagem. Adicione a essa receita o fato de eu ter voltado pra faculdade (Ciências Cognitivas e do Cérebro é o curso na Macquarie University), estar trabalhando em 2 lugares diferentes, dividir todas as tarefas de casa com a Bru – como deveria ser em toda casa, diga-se de passagem – e ter voltado a jogar basquete aqui desse lado e você encontrará um magrelo que dorme na frente do computador enquanto estuda, acorda e continua estudando. É assim que eu gosto, por isso nada de me fazer de coitadinho ou reclamar da vida, do universo e tudo o mais, porque eu sei que a resposta é 42. E assim chegamos no tema de hoje.


Se você leu isso aí em cima e sentiu um pouquinho de pena dessa pobre alma que vos escreve, então você tem uma das habilidades que mais me agrada no ser humano: a de se colocar no lugar do outro. Empatia é, talvez, o que mais falte nesse mundo cada vez mais conectado e, paradoxalmente, cada vez mais solitário. Todo mundo sabe tudo sobre todo mundo, compartilha tudo sobre si mesmo, opina sobre todos os assuntos possíveis e cada vez menos tenta se conectar de verdade com os seus semelhantes. As redes sociais projetam uma vida de plástico, perfeita e feliz, mas cada vez mais as pessoas se isolam e as taxas de depressão sobem de forma galopante – psicólogos, me corrijam se eu estiver delirando. Tragédias acontecem todos os dias, atentados e atos de terrorismo viraram notícia corriqueira, políticos (sempre eles!) de todos os países continuam vivendo de se servir do povo (e não de servir ao povo) e, no nosso círculo de amigos, o perigo de que algo catastrófico aconteça vem chegando cada vez mais perto. Nada disso parece incomodar o bastante para mobilizar a pessoa comum a fazer mais do que um clique, um compartilhamento, um comentário lacrador achando que “fez a sua parte”. E nada disso é feito pensando no próximo, é sempre pensando em si mesmo.


Parece um pouco extremo e é claro que eu tenho a minha parcela de culpa, mas vamos explicar um pouco melhor: o ser humano é um animal que prospera em grupo. Segundo os antropólogos, biólogos e mais um monte de xxxólogos, essa é uma das razões pelas quais a raça sobreviveu e subiu até o topo da escala evolutiva. A gente entende o que é sentir dor, frio, medo, fome e mais um monte de sensações mesmo quando não são as nossas. “Muitos animais também”, dirão os protetores dos bichinhos, e eu não discordo; o ponto é que temos a habilidade de raciocinar em cima disso e agirmos baseado no que julgamos ser a razão por trás do sentimento, ou mesmo baseados no resultado dele. Essa diferença entre nós e o resto da fauna do planeta é uma faca de dois gumes: nos dá a habilidade de julgar uma situação e escolher ir pra lá ou pra cá e também nos dá a responsabilidade de agir – e é a segunda que também anda em falta no mundo de hoje. Vivemos em uma época em que “fazer a sua parte” é impessoal, distante, desconectado e muito, muito rápido. Não pensamos mais que alguns segundos no que acabamos de ler no feed antes de compartilhar; não pensamos mais que alguns segundos no histórico da pessoa que postou antes de atacá-la ou defendê-la; não consideramos os sentimentos ou a realidade do outro antes de tomar uma decisão que a afeta – tudo em nome de proteger o nosso interesse imediato, e tudo sempre sem conexão nenhuma com a(s) parte(s) afetadas(s).


É claro, tudo isso é o que EU vejo, não é fato consumado e muito menos a verdade acima do bem e do mal. O que eu senti é que precisava compartilhar isso esse ano porque eu sei que eu sou 50% responsável pela pessoa que o Lucca vai se tornar – os outros 50% vem da Bruna, e eu sei que os 50% dela são melhores que os meus; depois de 17 anos ela continua me ensinando como ser melhor, continua liderando pelo exemplo e mostrando ao Lucca todo dia o que é amar com todo o coração, e isso pra mim é a maior prova de responsabilidade e o maior exemplo de que ela decidiu ser a melhor mãe do mundo, não foi algo que aconteceu por acaso - e tudo isso começa na CONEXÃO que ela tem com ele. Quando você tem esse exemplo em casa, você tem que repensar todas as suas decisões, porque elas vão influenciar diretamente os meus 50%, e errar a mão no emprego mais importante e mais definitivo que eu já tive na vida não é algo que me apetece – vocês que me conhecem sabem o quanto eu não gosto de errar UM arremesso, imaginem só errar no exemplo que eu vou dar pro meu filho, que vai formar o seu caráter e que vai direcioná-lo pra uma experiência humana completa ou pra uma existência individual em grupo.


O tom desse ano parece ser um pouco mais pessimista do que o normal, mas eu prometo que não é. Apesar de agressivo, ele foi escrito com a melhor das intenções e deve ser lido com verdade, ao invés de reatividade; em vez de ler pra responder, leia pra entender e pra analisar. E se algo fizer sentido, o meu desejo nesse período de festas é que nós consigamos nos olhar no espelho sem ter que se igualar ao que a gente acha que o mundo precisa que sejamos. Que a gente consiga se olhar no espelho pra se conectar com o nosso verdadeiro eu, e que consigamos estender essa conexão pra fora de nós. O mundo com certeza, vai “curtir” mais.


Boas festas e a gente se vê no ano que vem, seus lindos!


🇦🇺 Every year for the past 10 years, the process has been the same: holidays, Christmas traditions and a long, heartfelt article written by yours truly. I’m just hoping this years’ is not as controversial as adding coriander or raisins to your holiday recipes, as it was inspired by a LOT of stuff that popped onto my news feed over the course of the year.


This year has been a lot shorter than the previous ones, and that’s what usually happens to first-time parents. To add assault to injury, I’ve decided to go back to Uni (Bachelor in Human Sciences with a Major in Cognitive and Brain Sciences at Macquarie University, since you asked), I’m currently working 2 jobs, I share all household chores with Bruna – as it should be in every household, might I add – and have managed to go back to regular play on the basketball court, so the end result is a skinny dude that falls asleep in front of the computer while finishing assessments, wakes up and keeps writing assessments. That’s how I like it, so you won’t hear one ounce of complaining about life, the universe and everything because I already know the answer is 42. And that’s how we land in today’s theme for this one.


If you've read the above and felt a little sorry for this poor soul, then you possess one of my favourite abilities in a human being: putting yourself in another person’s shoes. Empathy is, perhaps, what’s missing the most in our highly connected and paradoxically lonely world. Everyone knows everything about everybody, shares everything about themselves, weighs in about every subject and yet real connection to another human is more and more rare in the social networking environment. What we see is a plastic existence, where everything is perfect and everyone is happy, and yet more and more people are becoming isolated and depression rates are rising in alarming fashion. Tragedies happen day in and day out, attacks and terrorists acts are also everyday news, politicians (always the same guys!) live on exploring – and not serving – the people, and the risk of something catastrophic happening to someone close to us moves closer and closer. None of that seems to bother us enough to act on it, or even to do more than liking, sharing or commenting, with the absolute certainty that we “did our share”. The thing is, we don’t do it thinking about someone else, we only think about ourselves.


I know it sounds a little extreme and of course I’m also to blame, but let’s dig a little deeper: human beings are a pack animal. According to anthropologists, biologists and a whole lot of other xxologists, that’s one of the reasons why we survived, thrived and climbed to the top of the evolutionary chain. We understand what it is to feel pain, coldness, fear, hunger and whole bunch of other feelings even when they’re not our own. “Many animals can too” is what you’ll hear from animal protectors, and I do not disagree; the point is we have the ability to think it over and act based on what we think is the reason behind the feeling, or even based on its results. That difference in understanding is a double edged sword: it gives us the ability to assess a situation and choose to go or stay, but it also bestows the responsibility to act upon us – and that’s another thing missing in today’s world. We’re living in a time where “doing our share” is impersonal, distant, disconnected and very, very fast. It doesn’t take us more than a couple of seconds to share something in our feed; we don’t consider for more than a couple of seconds what the person that posted is going (or has gone) through before we attack of defend them; we never think about someone else’s feelings or if they live in a different reality before we make a decision that affects them – all to protect our own interests, and Always trying to maintain a safe distance so we don’t have to deal with the actual outcome that our “share” might have caused.


Calm down now, we both know this is all a figment of my imagination; it’s not a fact or the undisputed truth – far from it. Nonetheless, it did not prevent me from writing this mainly because I’m responsible for 50% of the person Lucca will become – the other 50% comes from Bruna, and I know for a fact that her contribution is way better than mine; after 17 years she still teaches me how to be better, she always leads by example and shows Lucca every day what it is to love whole-heartedly, and for me that is the greatest display of responsibility and the clearest example that she decided she was going to be greatest mom in the world, it wasn’t some random occurrence – and all of that starts with the CONNECTION she has with him. That’s a tough act to follow, so you need to think twice about your decisions as they are going to influence the outcome of your 50% contribution, and under delivering on the most important job I’ve ever had is not going to cut it – I’m the guy that doesn’t like to miss ONE shot, let alone being a poor example on the character-forming years I have with my child, years that will either provide him with the tools for the entire human experience or for an individual group existence.


I know this year’s text sounds a little more pessimistic than previous years, but I assure it is not. Although it is a little aggressive, it was written with the best of intentions and is supposed to be read with truth, and not our usual reactivity; instead of reading to respond, read it to understand and ponder. If any of the above made sense, then my wish for this Holiday season is that we may all have a chance of looking ourselves in the mirror without having to match what we think the world needs us to be; may we look in the mirror to try and connect with our true selves, and then try to extend that connection outwards. The world will, undoubtedly, “like” it better.


Happy holidays and see you next year, beautiful people!

Temos tanto tempo assim? Feliz 2017!

Hoje é dia de texto do papai(!) Mazza, então deixa o tio do pavê dormindo no sofá do lado da vovó assistindo o especial de Natal da Simone e vem comigo rever o que senti em 2016. Pra quem é novo, isso aqui é uma tradição que consiste em linhas pretensiosas mas verdadeiras, escritas por este que vos fala e movidas pela emoção das festas. E sim, é TEXTÃO.
Pensei muito pra escrever esse ano porque ele foi cheio de maravilhas pra nós aqui dessa lado, mas uma coisa aconteceu agora no finalzinho de 2016 que me fez reconsiderar o tema da redação. Não só isso, me fez pensar em algo realmente importante e inevitável, e não só no mundano e corriqueiro que eu costumo abordar. Hoje eu escrevo sobre ter a chance de fazer algo importante antes do fim. Parece sombrio, mas espera mais um parágrafo pra confirmar se esse é o tema real ou é só click-bait.
A gente vive a vida toda achando que o fim está longe – não só o fim bíblico, mas o fim do projeto, o fim da balada, o fim do beijo, o fim do jogo. “Ainda tem tempo” pensamos nós, e assim procrastinamos as coisas pequenas que vão nos roubar coisas importantes antes do fim. Se formos falar da vida, a discussão fica ampla demais e ninguém acompanha, então vamos dar o exemplo do Domingo, que eu sempre ouço que é o dia mais curto da semana.
O Domingo começa depois dos outros dias porque “É o único dia que eu posso dormir até tarde”, então já é mais curto; como começa mais tarde, o café da manhã vira almoço - aí então a manhã já está perdida, junto com qualquer tipo de atividade que poderia ser marcada (como aquela ida a academia ou a visita ao parente que vemos uma vez por ano). O almoço vira lanche da tarde e normalmente é regado a álcool, o que torna a tarde preguiçosa e a faz se enrolar no começo do jogo de futebol – com a tradicional hipnose coletiva que se segue até o final do dito cujo – e emenda na noite "Fantástica", aniquilando assim qualquer chance de se ler aquele livro, preparar aquela apresentação, fazer a lição de casa ou arrumar aquele armário; isso vai servir de desculpa pra que, na 2ª feira, você não tenha tempo de pensar naquela idéia de negócio pra sair do emprego, ou de ligar praquele amigo que você viu semana passada ou de preparar aquele jantar romântico pra sua esposa – tudo porque precisa “dar um jeito naquele armário”. A partir daí, a semana está imersa no trabalho e ninguém "tem tempo pra nada". Vê como as coisas pequenas (como acordar em um horário decente no Domingo) tiram o lugar das coisas importantes?
Pois bem, amiguinhxs, agora vem a parte chata: o fim está mais próximo do que a gente imagina. Pensei nisso há algumas semanas quando vi uma amiga querida tendo que lidar com isso e pensei nisso hoje novamente, quando contemplava o quanto pode ser difícil preparar o Lucca pro mundo e, ao mesmo tempo, mantê-lo perto. Pensei em quanto tempo vou ter com ele e as coisas que vão me fazer abrir mão desse tempo precioso. Pensei em como ele vai encarar o nosso tempo juntos: se vai ser uma tarefa ou um prazer, se ele vai se esforçar pra vir tomar um café conosco ou se vai preferir os amigos e, quando vir, já não teremos mais tempo. E aí lembrei que a gente é quem faz o nosso tempo, e que a ordem de importância não é uma só pra todo mundo. Lembrei que quando você faz o seu melhor antes do fim, não pula as etapas e tem as suas prioridades claras, você não se arrepende do tempo ocioso que você escolheu tirar só pra ficar sentadinho do lado de quem escolheu, sem motivo e sem hora pra ir embora. Você não se arrepende de ter deixado uma ou outra oportunidade profissional passar porque está trabalhando na sua start-up no seu tempo livre; você esquece do arremesso que errou e volta pra defesa porque é lá que o jogo é ganho, e não na jogada mirabolante que vai aparecer no jornal mas que só vale 2 pontos. E você pode estar com quem é realmente importante na sua vida enquanto o fim não chega, porque nada pode ser pior do que achar que não esteve lá quando podia estar.
Esse ano não tem anagrama, não tem trocadilho, não tem slogan pra você repostar pros seus amigos – que, a propósito, é o maior elogio que eu posso receber. O que tem desse lado é muito amor e muita vontade de despertar a vontade de que você seja melhor antes do fim. Sério. O molequinho aí da foto me move todo dia, e ele só está aqui a 3 semanas, então pense bem em quem (ou no quê) é importante faz alguma coisa antes que o tempo te passe a perna e você se pergunte: "Será mesmo que eu tinha tanto tempo assim?"

terça-feira, dezembro 22, 2015

Em 2016 você tem um dia a mais, então AME!

Amiguinhxs,

É chegada a hora de você sentar na frente do computador, fazer um chazinho e ler as linhas que o titio Mazza escreve anualmente, movido pelos sentimentos doces e intensos da temporada de festas. Como não poderia deixar de ser, o texto desse ano vem carregado de saudade, de aprendizado, de mágoa e, principalmente, de amor. Entretanto, você se engana em achar que isso já está lá no assunto: o título, na verdade, é só um click-bait pra você entrar e descobrir que, na verdade, AME é um anagrama. Dê um gole no seu chazinho e vamos a ele.

Passado o susto inicial de morar a 15.000km de (quase) todos vocês, a vida seguiu por aqui. Como sempre, planejamos, executamos, acertamos mais que erramos, esperamos, nos frustramos e, mais do que nunca, vivemos um ano feliz. Na verdade, vivemos um ano FELIZ - perceba a diferença na inflexão. Descobrimos que, quando você tira o que te incomoda da sua vida, tudo te deixa feliz. Descobrimos que, quando você tem gente pra amar na sua vida, isso é mais do que suficiente - isso faz com que você seja feliz todos os dias. Descobrimos que, mesmo longe, a gente tem que ser grato todos os dias por ter tanta gente especial nos cercando, torcendo, mandando boas vibrações e comemorando conosco cada conquista, cada passo que damos em direção ao que buscamos pro futuro. Não é a distância que vai mudar essa relação, certo?

Por outro lado, perceba como eu digo "gente pra amar" e não "gente que te ame" ali em cima; essa diferença de semântica e de atitude muda tudo, mas é algo que não é todo mundo que está disposto a colocar em prática porque, convenhamos, dá trabalho e ás vezes não dá resultado. Nós mesmos, daqui do outro lado, xingamos até a 4ª geração de vocês quando a gente liga e vocês não atendem, ou quando visualizam e não respondem, ou quando não retornam um Facetime. É normal porque ninguém é filho do Dalai Lama, então todo mundo fica frustrado quando o esforço é unilateral, mas que não impede esse que vos fala de fazer a declaração (bilingue) anual do titio Mazza: AME - Always Make an Effort.

Always Make an Effort significa "Sempre faça o esforço". Isso é mais fácil na teoria do que prática, porque envolve reservar espaço no seu dia ocupadíssimo pra arriscar uma ligação, uma conversa, um abraço, uma palavra de carinho que pode não ser correspondida. O esforço, segundo a minha premissa, é sempre seu e não tem garantia nenhuma de retorno. Mais do que isso, o esforço não tem que precisar de retorno, é um gesto altruísta. A satisfação deve vir simplesmente de saber que a outra pessoa pode ter se sentido melhor com o ele, mesmo que você não tenha visto. Isso, amiguinhxs, é bem difícil de fazer no nosso dia a dia frenético, egoísta e cosmopolita. Egoísta sim, porque todo mundo está tentando garantir o seu e o da sua família antes - não há vergonha nenhuma em admitir isso, não vivemos num conto de fadas. O ponto é: se você, de vez em quando, se satisfazer em fazer o esforço pelo bem do outro e achar satisfação nisso, aí você sai do labirinto, passa de fase e ganha novos poderes. 

Como sempre, é uma visão romântica do que o mundo pode ser. Nas conversas que tenho com gente em todas as fases da vida, uma palavra é sempre constante: difícil. Tá difícil morar no Brasil, é difícil criar um filho, o difícil é conseguir achar tempo pra malhar, é difícil não comer doce, vai ser difícil juntar dinheiro pra comprar a casa. Se toda vez que você essa palavra adicionar o anagrama, a gente muda o contexto: vai ser difícil, mas eu vou fazer o esforço. E faça mesmo, não finja que faça - você vai até enganar os outros, mas se enganar vai ser (!) difícil. Se você se acostumar a AMEar todos os dias, daqui a pouco vai estar feliz sem saber porque - e olha só, em 2016 você vai ter até um dia a mais do que nos outros anos pra ser mais feliz. 

Esses dias eu compartilhei um texto bem legal no Facebook sobre Disciplina X Motivação - em resumo, dizia que quando você se apóia na disciplina ao invés de se apoiar na motivação, o sentimento de conquista se coloca no final do processo: você faz pra depois se sentir bem, ao invés de esperar se sentir bem pra fazer. De cara, jå dá pra ver que faz sentido, certo? Então trate a sua felicidade do mesmo jeito: AME pra ser feliz, e não espere ser feliz pra AMEar.

Feliz ciclo novo pra todos nós!

sexta-feira, dezembro 19, 2014

Coragem, jovem gafanhoto. O melhor ainda está por vir.

Amiguinhos e amiguinhas,

Mais um ano chega ao fim, mais um texto do tio Mazza. Quem já leu algum pode pular pro próximo parágrafo, quem não leu fica com um pouco de contexto: gosto de escrever, fico saudoso no final do ano, penso no que passei e aprendi e coloco no papel (virtual). Gostou ou não gostou, sinceramente não faz diferença; faço isso por mim e para mim, mas fica mais legal ainda ouvir uma palavra ou outra de incentivo, que é o que tem acontecido nos anos em que escrevi.

Esse foi o ano mais importante que vivi até hoje, então o texto vem carregado. Carregado de amor, medo, ansiedade, dor, alegria, saudade, frustação, felicidade, coragem e mais um caminhão de sentimentos  que todos nós escolhemos sentir em diferentes momentos da vida. São escolhas sim, porque quem manda na situação é a mente – você escolhe ter medo ou coragem, ansiedade ou excitação, solidão ou paz. As vezes essa escolha é inconsciente, as vezes você se deixa levar pra não ter que fazer força pra crescer e as vezes você sai da zona de conforto momentaneamente, assume o leme e escolhe pra onde vai direcionar a onda. Parece fácil, mas não é.

No momento que decidimos de verdade mudar pra Austrália, muita coisa mudou na minha cabeça. A decisão veio em Setembro do ano passado, por isso o processo foi interessante e dividido em fases. Primeiro, não sabíamos muito o que fazer, onde começar, com quem falar; depois, já com um plano mais traçado, começamos a contar pra uma ou outra pessoa pra sentir se estávamos loucos ou não; veio uma vaga em Fevereiro (essa não contamos pra ninguém) e a primeira frustação, mas logo em seguida vimos o quanto queríamos de verdade estar aqui. Depois disso, não existia mais medo de ficar longe, de recomeçar, de largar toda uma vida construída por aí. Só tinha a coragem de recomeçar a 15.000km de distância, em outra língua, sem família ou amigos e com um sonho do que a vida poderia ser.

Falar de coragem como um conceito abstrato é fácil: “Viu a menina que ficou na frente do tanque? Que coragem!”, “Lembra do João? Pediu demissão e abriu o próprio negócio. Corajoso!”, “Caramba, e a Bru e o Mazza? Mudaram pra Australia sem ter ninguém por lá, que coragem”. A verdade é que a maioria das pessoas não entende que coragem não é a ausência de medo, mas sim a força e a decisão de superar o medo. De novo: a força e a decisão de superar o medo. Esse é o truque, conversar com a sua mente e convencê-la que aquele risco que ela te mostrou só existe se tudo, absolutamente tudo der errado. Conta pro tio Mazza: quantas vezes absolutamente tudo deu errado, de verdade? Pensa com calma. Pois é. Só que a gente fica tentando se proteger demais, e na maioria das vezes deixamos o risco de errar se sobrepor a vontade de acertar.

É engraçado conversar com vocês daqui e contar o nosso dia a dia, porque parece que estamos fazendo propaganda do governo australiano. Tudo é lindo, as coisas funcionam, moramos perto do trabalho, não temos (e nem precisamos de) carro, enfim, mudamos pra melhor. Isso nunca aconteceria se nos deixássemos vencer pelo monstrinho medroso que jogava preocupação atrás de preocupação na nossa frente quando não tínhamos certeza. O ponto é que a nossa vontade de acertar era tão grande, tão grande que nos deu coragem pra encarar o risco, lidar com as consequências e mirar no futuro, fosse ele bom ou não. Volta um pouquinho e leia de novo: “nossa vontade de acertar....”. Percebeu como a coragem não é o motivador, mas sim o meio? A coragem é só a ponte que liga a vontade ao resultado, não é o motor do carro – esse é outro segredinho que ninguém nos conta. A gente fica esperando a coragem pra fazer as coisas, quando na verdade o que falta é a vontade.

Todo mundo pensa diferente, todo mundo tem situações de vida diferentes, todo mundo pesa as coisas de forma diferente. O que pra mim é leve, fácil, comum pode ser o maior desafio que você já viu, e vice versa. A dica do milhão é achar o motivo pelo qual você não teria medo de fazer algo, o motivo que te faz ir atrás de algo, o motivo que te faz analisar o risco pelo que ele realmente é, e não pelo que a sua mente medrosa te conta que é. Quando isso acontecer, o medo vira piada, a coragem vira hábito e a decisão de ser mais feliz é toda sua.

O melhor está por vir, jovem gafanhoto, se você se deixar ter coragem pra aceitar a mudança  que quer ver na sua vida. Vale a pena.



sábado, dezembro 28, 2013

Esse 2000 foi 13? Calma que ainda pode piorar.... lá vem o texto de fim de ano do Mazza!

Oi pessoal,

Lá vamos nós pra mais um texto de fim de ano do Mazza. Muita gente recebe, alguns me cobram, poucos (eu espero) não aguentam mais, outros estão recebendo pela primeira vez e assim o show não para. É assim: inspiração das festas + gosto pra escrever + experiências do ano todo = texto bonitinho, caprichado e que vem do lado esquerdo do peito. Matemática literária simples, não? Vamos a ele.

Esse ano, como alguns de vocês acompanharam pelas redes sociais, foi um pouco difícil pra mim. Passei por um período complicado, uma certa crise-de-um quarto-de-idade, digamos assim. Duvidei de mim, do trabalho, dos motivos, da missão, do meu papel na minha própria vida. Conversei, analisei, pensei, chorei, superei. No processo, tive que buscar respostas doloridas e sinceras que só eu poderia responder, e tive que ir atrás dos motivos por trás dessa revolta toda pra garantir que ela não aconteça de novo. Achei muito mais do que eu achei que acharia, achando que tinha perdido tudo o que perdi de vista só momentaneamente. (eu releria essa frase, porque ficou maior legal...).

"Mas Mazza, porque esse achado todo pode ser relevante pra mim?" Na verdade todo mundo tem as suas próprias respostas e deveria estar pouco se lixando pra opinião do magrelo, mas as vezes dá pra tirar alguma coisa boa das experiências negativas dos outros pra que você mesmo possa evitar um ou outro percalço no seu caminho.

O grande segredo do que me tirou do buraco emocional que eu estava é, como sempre, muito mais óbvio do que a gente pensa que vai ser. Eu precisei reencontrar a PAIXÃO por tudo o que fazia na vida. "Ah Mazza, fala sério! Li isso tudo pra ouvir essa baboseira?". É. E se não gostou, melhor nem continuar porque daqui pra frente é tudo loucura da minha cabeça que não para. 

O que clicou no momento que pensei nisso foi, novamente, o "Stay hungry, stay foolish" que Steve Jobs menciona em seu discurso para os formandos de Stanford. A paixão por qualquer coisa é difícil de ser mantida no cotidiano, porque você sempre tem que estar atento a algo que te impressiona, te move, te faz pulsar. A rotina pessoal e a falta de motivação profissional são verdadeiros assassinos da capacidade humana, porque com elas perdemos a habilidade de nos deixar emocionar (em todos os sentidos) por coisas pequenas, óbvias, corriqueiras - e nem por isso menos especiais. Achar algo apaixonante no caminho de casa pro trabalho é complicado, achar algo apaixonante no mesmo trabalho que você faz há alguns anos é mais complicado ainda, e essa lista passa por relacionamentos, amizades, programas de TV, lazer, tudo o que cabe da nossa vida cabe nessa reflexão. Talvez o grande segredo seja se perguntar constantemente o que te faz fazer/ver/comer/viver aquilo que está fazendo. 

Lá vamos nós pra mais um conceito utópico: achar algo apaixonante na rotina. Mas aí eu vou dizer pra vocês que isso pode salvar a sua vida - literalmente. Umas das palestras da TED que eu mais gostei esse ano chama-se "Como fazer do Stress seu amigo" e está no do link abaixo; nela, a psicologa Kelly McGonigal fala o seguinte: "Chasing meaning is better for your health than trying to avoid discomfort. (Buscar significado (na sua vida) é melhor para a sua saúde do que tentar evitar o desconforto)". É muito interessante: quando você se prepara para o stress e o vê como algo bom pra você, seu corpo responde de maneira (muito) diferente. O grande lance não é evitar o stress, mas sim buscar algo que faça com que o stress valha a pena. Vale o clique, tem legendas e tudo o mais e só dura 15 minutinhos: http://www.ted.com/talks/kelly_mcgonigal_how_to_make_stress_your_friend.html

Pra finalizar: sei que não dá pra ser apaixonado por tudo a todo momento, mas acho que procurar pequenos prazeres em tudo não só é válido, mas necessário na rotina que temos hoje. Se empolgar com uma vaga que abre assim que você chega, ou com o elevador que estava te esperando, ou com a camiseta que você queria usar e era a primeira da gaveta, ou com um prato que você gosta no restaurante, ou com a educação inesperada de um passante na rua, ou em chegar em casa 1 minuto antes da chuva, ou ganhar a rifa do prédio, ou qualquer outra situação comum que passa batido pode mudar muito a nossa rotina, o nosso humor, a nossa vida. Voltar a ter paixão pelas pequenas vitórias e deixar o universo se encarregar das grandes pode nos restaurar a sanidade nessa loucura que é o dia a dia. Ou deixar todo mundo pirado de vez, o que também é divertido.

Feliz 2014 pra todos nós, loucos e apaixonados pela vida!

terça-feira, janeiro 08, 2013

Já que 2012 acabou, vem aí o texto de COMEÇO de ano do Mazza!

Oi pessoal,

Lá vamos nós para mais um texto de "final" de ano do Mazza. Pra quem nunca recebeu, funciona assim: o ano vai acabando, as resoluções de ano novo vão aparecendo, os balanços de final de ano vão fechando (e as balanças vão subindo...) e aquele sentimento de renovação inspira o magrelo a compartilhar um pensamento com quem tiver paciência de ler. Legal pra quem gosta, mala pra quem não gosta (é só avisar!) e revigorante pra mim, que coloco alguns pensamentos no papel. Como vocês puderam perceber, o final de ano virou começo de ano, mas a intenção é a mesma.

Esse ano foi interessante pra mim porque, ao contrário dos últimos, comecei, passei e terminei insatisfeito - professores de português que me perdoem, mas vou repetir muito o termo "insatisfeito" no texto. Essa insatisfação crônica que senti durante o ano todo foi muito incômoda, mas acabou sendo uma coisa boa no final das contas. Ao contrário do sentimento negativo que geralmente acompanha algo que incomoda, resolvi encarar essa insatisfação de maneira positiva e cheguei a conclusão que isso nos leva pra frente, coloca as coisas em perspectiva, nos faz buscar algo melhor para que fiquemos, enfim, satisfeitos. A maioria do que nos deixa insatisfeitos é trivial, mas nós temos a tendência de elaborar problemas maiores a partir disso. E é aí que a perspectiva entra nesse jogo: há situações que não tem soluções diretas ao nosso alcance - como a qualidade dos motoristas a nossa volta ou a honestidade dos políticos, pra citar dois exemplos comuns. Com a correria do dia a dia e nosso padrão mental pra resolver ou criar problemas, esquecemos de parar um minuto e pensar se realmente aquilo precisa nos afetar tanto assim e se a resolução é nossa responsabilidade. Se a resposta pra qualquer das perguntas é não, porque não assumir uma postura positiva diante da situação e deixar que o "problema" (entre aspas mesmo) se resolva?

Ok, isso não é tão simples assim. Essas insatisfações diárias - que não são realmente importantes mas drenam a nossa energia - são hábitos que temos e que serão difíceis de mudar. Você só conseguirá largar um hábito quando substituí-lo por outro, e jogar o jogo do contente todas as horas de todos os dias é bem cansativo. Por isso, o jogo não é deixar de ficar insatisfeito, mas se policiar pra ficar insatisfeito com as coisas realmente importantes. Pedindo uma licença poética aos psicólogos, acho que  projetamos muito de nós mesmos nas situações que nos incomodam. Você já se pegou reclamando sozinho de um motorista que cortou a fila pela pista de fora pra virar a esquina e se pegou fazendo isso duas quadras depois? Eu já. Aí você diz: "Mas Mazza, eu tenho que deixar o espertão entrar e ficar como um idiota na fila?". Não sei, depende do quanto você acha importante na sua vida entrar na rua antes do espertão e do quanto você quer continuar insatisfeito todos os dias.

Minuto mea culpa: se você já me viu dirigindo, sabe que eu reclamo o tempo todo (comigo mesmo) de motoristas ruins, malandros ou simplesmente idiotas. Esse é o ponto que eu quero explicar: essa insatisfação crônica com o trânsito é, na verdade, uma insatisfação com a falta de perícia, de solidariedade, de capacidade das pessoas no trânsito. O trânsito em si é (trocadilhos a parte) somente um veículo pra que a minha insatisfação se manifeste. É um pouco difícil de explicar, mas eu sinto que a coisa é mais abrangente do que uma fechada, tem a ver com a mentalidade do motorista que deu a fechada em relação ao próximo e a situação em que ele próprio se encontra naquele momento - envolve educação, ego, stress, trabalho, metas, situação familiar e financeira e mais uma penca de coisas que eu não tenho como (e nem quero!) controlar. E se eu não tenho como controlar, porque direcionar minha energia a isso? Pois é, pensando assim eu acho fácil de entender, e consequentemente, de mudar.

Outra face da insatisfação que eu notei esse ano foi a eterna busca por mais. Ser mais, ter mais, fazer mais. Essa eu acho saudável, e Steve Jobs mencionou no seu discurso de Stanford: "Stay hungry, stay foolish". A insatisfação que nos leva a evoluir deve estar presente em todos os momentos da vida, desde coisas sem importância e que só nós vamos notar, até ações grandiosas que influenciam centenas e até milhares de pessoas com quem convivemos. As vezes a gente subestima o alcance das nossas ações e o quanto somos "vigiados" pelo nosso círculo de influência, principalmente nessa era das mídias sociais, e é algo que teremos que lidar cada vez mais. Somos figuras públicas agora, mesmo que não queiramos. E em breve vai vir aí uma geração ainda mais conectada, atenta, inteligente e rápida pra absorver informações. Se nós, os exemplos, não buscarmos a constante evolução e mostrarmos que, em doses certas, a insatisfação nos leva pra frente, corremos o risco de ter que assistir nossos filhos, netos e bisnetos destruírem os valores que consideramos importantes hoje, como lealdade, ética, caráter, solidariedade e amor ao próximo. "Seja a mudança que quer ver no mundo", disse Ghandi, e é claro que ele estava certo. Se a nossa insatisfação for bem direcionada, acho que podemos ficar bem satisfeitos com o futuro que nos espera. 

Feliz 2013!

quinta-feira, dezembro 15, 2011

É o fim do mundo? Não, é só o fim do ano!

É chegada a hora de mais um texto de fim de ano. Se você ainda não o recebeu por e-mail, é porque eu não tenho seu e-mail! Rsrs..... isso é facilmente remediável: me mande o seu e-mail! Vamos a ele:

Ano corrido + empreendimentos novos + planos para o futuro + viagem internacional com uma galera = Mazza sumido. Essa equação é tão exata que o meu (finado) blog só teve uma postagem no ano todo, e isso aconteceu porque eu planejei, comentei, me associei e comecei algumas coisas que serão grandes, mas que não estão nem perto disso. Se o mundo for acabar mesmo em 2012, eu vou ficar bem p*to porque um ano é pouco tempo pra pelo menos iniciar tudo que foi 2011.

Como tradição é tradição, aqui estamos nós com o texto de final de ano do Mazza. Se você não conhece o esquema, pergunte pra alguém que temos em comum no Facebook porque com certeza essa pessoa já recebeu um desses. E o tema desse ano foi abastecido por documentários, biografias, livros e conversas espetaculares que tive esse ano, e vai falar da vontade de ser maior.

As palavras sempre vêm da experiência pessoal deste que vos fala, mas acredito que as idéias que eu verbalizo estão no ar pra quem quiser – isso deve significar que muita gente deve estar pensando nisso ao mesmo tempo que eu. É claro que isso é algo que eu quero acreditar, em parte porque acredito nessa energia dinâmica e criativa que move o universo e em parte pela minha mania leonina de achar que sei tudo, mas é óbvio que ninguém é obrigado a compartilhar da minha viagem. Vamos lá.

Esse ano perdemos um dos maiores empreendedores da era da informática, Steve Jobs. Ele foi um cara que sabia muito pouco da parte técnica, tinha uma habilidade e um talento sobrenaturais para a parte comercial e uma visão que ia além do que o mercado via. Isso é suficiente para criar o que ele criou? Eu acho que não. Acho que muito executivos têm essas qualidades e não fazem mais do que administrar (com competência, claro) empreendimentos de outras pessoas. Steve tinha um diferencial que beirava a obsessão: ele tinha vontade de mudar o mundo.

Falando desse jeito, parece que eu o conhecia pessoalmente – e essa foi talvez a maior expressão de seu gênio criativo. Os consumidores da Apple nunca somente compraram produtos inovadores, eles sempre estavam (e estão) engajados a ajudar Steve em sua missão; eles próprios, através de seus cartões de crédito e suas escolhas, estavam “indo contra o sistema” do PC, e por isso faziam (e fazem) parte dessa missão. Eles estavam, perdoem o trocadilho, conectados com o gênio, e por isso se sentiam maiores do que um simples comprador de PCs. Eles não sabiam o porque, mas naquele momento eram maiores do que seu emprego, suas posses, suas dificuldades, suas escolhas. Eles eram os senhores da criação, simplesmente porque, por um momento, estavam mudando o mundo. E é por essas e outras que eu acho que todo ser humano tem essa vontade latente de ser maior, apesar de não saber ou de escolher não se importar.

Mas Mazza, não é um pouco presunçoso achar que você sabe o que as pessoas pensam? Sim, mas isso não significa que eu não sei - modéstia à parte. Vamos por partes: eu não posso afirmar que o que eu disse aí em cima é verdade, mas eu vejo uma certa padronização no comportamento de pessoas que seguem líderes que têm esse pensamento de mudar o mundo e conseguem transmiti-lo de forma a afetar positivamente a vida das pessoas. Na própria Herbalife, de onde tiro boa parte do meu aprendizado, é exatamente isso que acontece. Não estamos querendo vender produtos, queremos mudar a vida das pessoas. Mark Hughes, tal qual Steve Jobs, dizia, vivia e acreditava nisso mais do que qualquer pessoa, e veja só o legado que ele deixou para todos os distribuidores e clientes que usam os produtos. E eu acredito que essa vontade imparável de fazer diferente e fazer a diferença é que provoca a mudança, apesar de aparecer apenas em alguns poucos indivíduos que realmente têm coragem, paixão e força para aceitar as responsabilidades que vêm junto com o privilégio de poder tocar milhões de pessoas no mundo.

Pra finalizar: acho que todos nós temos essa vontade dormente. Alguns conseguem libertá-la mais cedo, outros mais tarde, outros não têm contato com ela por opção ou medo, mas é da natureza humana querer deixar sua impressão digital nessa existência, e ao fazer isso, afetar positivamente o máximo de pessoas possível. A vida mundana, as dificuldade que temos que superar e as crenças limitadoras que nos são ensinadas ao longo da vida às vezes jogam essa vontade pra um canto escuro e inabitado dos nossos pensamentos, mas acho que essa vontade está lá sim. E revivê-la esquecendo o medo de errar para construir algo maior que si mesmo e que pode mudar a vida de uma pessoa dá sentido à nossa passagem por esse mundo físico. É algo maior do que nós, porque talvez nos aproxime da criação. Deve ser por isso que a capacidade está sempre lá, inerente ao ser humano, mas só quem realmente quer pode acessá-la. É um poder, em sua essência, maior do que qualquer um de nós.

Faça o seu 2012 maior, antes que o mundo acabe!

quinta-feira, dezembro 30, 2010

Força em 2011

Oi pessoal

Estive bem ausente esse ano - se vocês checarem a última postagem, ela é de Maio/10 - e é pelo motivo de sempre: muita coisa acontecendo na minha vida. Mas seguindo a nossa tradição anual, é chegada a hora do texto-de-fim-de-ano-do-Mazza. Ok, não é um acontecimento importante, mas pra mim o que importa é compartilhar o que me fez pensar nesse ano que passou.

Esse ano foi de muito trabalho, e veio com uma carga emocional muito grande. Muita coisa aconteceu a muita gente, e comigo não foi diferente - novamente a vida me apresentou uma encruzilhada, e quando eu coloquei o que realmente é importante na balança não houve nenhuma dúvida. O curioso foi que, para minha surpresa, o que é importante hoje não bate com o que eu escolhi há 10 anos. É claro que eu não estou exatamente reinventando a roda e que as pessoas mudam mesmo, mas eu te pergunto e peço pra que você pense um pouco nisso antes de continuar: e você, quantas vezes fez uma auto-análise nos últimos anos? O que você escolheu como carreira com 16 ou 17 anos é realmente o que você tem paixão por fazer pelo resto da sua vida?

Ok, esse não é o tema de hoje. O tema de hoje é como eu lidei com a encruzilhada que eu falei aí em cima. São as escolhas que temos que fazer, e como as fazemos. É sobre o que eu acredito ser necessário pra realmente acertar quando a vida lhe pergunta: "E aí, vai pra onde?". E essa resposta hoje é clara pra mim - precisamos de força.

Esse ano tive que escolher se continuava uma caminhada ou (re)iniciava outra. A decisão não foi fácil, porque tive que jogar tudo o que eu acreditava, tudo o que me fazia feliz, tudo o que eu considerava importante e todos os contrapontos no liquidificador pra ver o que saía de lá. Pra minha surpresa, a resposta foi que eu precisaria reiniciar o caminho, e então eu precisei tomar mais uma decisão difícil. Pra isso, fiz uma auto-análise pra saber se eu tinha força pra mudar novamente esse caminho em busca do que era importante pra mim. Pra minha felicidade, o que descobri é que eu tenho sim essa força, e mudarei quantas vezes forem necessárias até ficar em paz com o caminho escolhido.

Mais uma vez, acredito que o caminho que escolhi é o melhor pra mim, pra Bruna e pra todos que me cercam, porque é um caminho que promove o meu desenvolvimento pessoal, meu crescimento como indivíduo e que tem como premissa ajudar os outros antes de ajudar a mim mesmo - isso, pra mim, é uma receita certeira pra realizar sonhos. Mas pra isso eu precisarei de força pra resgatar a paixão por essa carreira que foi colocada de lado e pra transpor os obstáculos que vêm com esse tipo de decisão, que por mais que tenham se tornado pequenos pela força da decisão e do objetivo final, ainda estarão lá.

Fazendo esse balanço do ano que passou, nesse 2011 eu desejo do fundo do meu coração que todos vocês tenham força; força de vontade pra fazer o que é preciso sem procrastinar; força de caráter para sempre escolher o caminho correto ao invés do caminho mais fácil; força nos seus ideias, pra dizer o que é preciso e pra escutar o que é necessário; força nas suas decisões, pra que a certeza te conforte nos momentos difíceis; força no coração, pra que você não deixe problemas cotidianos afetarem sua relação com quem você ama de verdade; e força na suas escolhas, pra que você saiba quando acertou e quando errou e precisa recomeçar.

Feliz 2011, e que todos nós sejamos melhores no ano que se inicia!

quarta-feira, dezembro 23, 2009

Faça um 2010 com verdade!

E lá vamos nós para mais um texto de final de ano. Esse ano eu me inspirei numa conversa com um dos melhores bateras (e um dos caras mais legais) que eu já conheci. Não vou citar pelo nome porque tenho muito amigos que mereceriam ser citados e não quero ciuminhos desnecessários, mas ele vai saber que conversa foi essa. Vou falar sobre a verdade em dois momentos: "falar a" e "fazer com".

Falar a verdade o tempo todo é algo muito difícil. Talvez seja pelo fato de querermos agradar as pessoas à nossa volta, evitar atritos desnecessários ou simplesmente para não desapontar as pessoas enquanto elas estão na nossa frente, mas o fato é que todos nós mentimos. São pequenas mentiras (ou mentiras brancas, segundo os americanos) que não influem em nossa vida a ponto de se tornarem importantes, mas elas estão lá. E se somarmos todas elas, veremos que falar a verdade pode ser mais doloroso no curto prazo, mas muito mais gratificante no futuro.

Quando alguém te convida pra ir tomar um chopp com alguns amigos e você diz que vai mas já sabe que não vai estar disposto, você não falou a verdade. Quando alguém te pergunta algo sobre um tema que você discorda, mas você concorda porque não está disposto a discutir naquele momento, a verdade foi tomar uma água. Quando você aceita um trabalho ou projeto que sabe que vai ter que cancelar ou pedir uma extensão no prazo porque não tem tempo hábil de terminá-lo de maneira satisfatória, a verdade estava visitando o vizinho. E porque negar o convite, discutir o tema ou expor sua dificuldade em iniciar algo a mais pode ser positivo pra você no futuro? Porque quando você diz que vai e não vai algumas vezes, as pessoas não convidam mais. Porque se você discute e expõe seu ponto de vista, quando o assunto surgir novamente você não terá que se controlar pra expor sua real opinião, causando desconforto e emoções acumuladas. Porque se você mostra seu limite a seu chefe ou contratante, sempre que ele for ultrapassado você será reconhecido por isso. Simples, não?

Sim, ao falar a verdade você desapontará algumas pessoas momentaneamente. Dizer "não" a um convite pode provocar esse sentimento na pessoa que o convida, mas ela saberá que quando o convidar e você aceitar, você estará lá. Existe algo mais frustrante do que ficar na expectativa de alguém que, no final das contas, não virá? Pois é. Ao assumir algo fora do seu alcance e não cumprir, você decepcionará pessoas de maneira muito mais definitiva. E reputação, fama, currículo e tudo relacionado à percepção das pessoas sobre você é bem mais difícil de reverter. Por isso faça da verdade o seu lema, mesmo que seja difícil no início. Com o tempo, ficará (muito) mais fácil e você se verá com mais tempo livre para aceitar convites, simplesmente porque não estará lutando para manter todos os compromissos que aceitou para agradar as pessoas.

E fazer com verdade? Nada mais é que acreditar em tudo o que você se dispõe a fazer. Quando eu digo acreditar, leia: "Ter tanto prazer, tanta gana, tanto tesão de fazer aquilo que você mal pode esperar pra começar". Ok Mazza, isso é muito romântico mas não funciona na prática. Isso é o que você, que não faz com verdade, pensa. Peguei pesado agora, mas vocês vão ver que é por um bem maior.

Estamos condicionados a fazer algumas coisas que não temos paixão para ganhar dinheiro. Isso é uma afimação mesmo, e é inerente ao nosso estilo de vida moderno. Não somos estimulados a seguir nossa paixão, mas sim a achar uma profissão que aguentemos exercer todos os dias e que nos gere um sustento e um mínimo de paz para tentarmos encher nossa vida com paliativos que nos ajudem a esquecer que não fazemos o que realmente somos apaixonados. Faça um exercício comigo, respondendo a essas perguntas (uma de cada vez, e não leia a de baixo antes de renponder a de cima!):

1. Quantas horas você trabalha por dia?
2. Se você pudesse, trabalharia menos horas ou mudaria de emprego ou atividade?
3. E se você ganhasse a mega sena de Natal no valor de R$ 100 milhões, continuaria trabalhando o mesmo número de horas, com o mesmo foco e no mesmo lugar?

Se a resposta pra última pergunta é não - e só você vai saber a verdade dessa resposta - sinto lhe dizer mais você não é apaixonado pelo que faz. Assista a entrevistas e leia biografias de caras como Steve Jobs, Bill Gates, Warren Buffet, Michael Jordan, André Agassi, Antonio Ermírio de Morais, Paul McCartney. Esses caras têm mais dinheiro que seus bisnetos podem gastar, e continuam em pleno produção na área que escolheram. Porque? Porque fazem pelo amor incondicional à atividade, fazem pela realização e satisfação pessoal, fazem com verdade.

Isso tudo é muito bonito, o discurso é decente e até te fez pensar um pouco, mas a Eletropaulo não se importa se você faz com verdade ou não - a conta de luz é de verdade e pronto. E eu digo: a melhor maneira de ver sua vida passar é não buscar o seu sonho, seja ele qual for. Com ou sem recompensa, com ou sem resultado, com ou sem apoio de alguém que você ama, mas pela pura sensação de que aquilo significa algo pra você. Na minha opinião, a única maneira de realmente viver uma vida é achar um significado maior do que um holerite pra ela. É achar um significado maior do que trabalhar metade do dia pra pagar as contas, dormir a outra metade porque está cansado e “reservar” o final de semana e as férias pra dizer que viveu. Tem tantas coisas realmente importantes na vida e que a maioria de nós deixa passar porque está ocupado demais trabalhando pra viver, que acabamos nos esquecendo de viver. E isso é a maior mentira que podemos contar pra nós mesmos: tentar se convencer de que o medíocre é bom o bastante e que a vida "é assim mesmo". Se você não encontrou nenhum amigo hoje, ou não beijou quem você ama, ou não pensou antes de dormir no quanto pode fazer a mais por você mesmo, recomendo que você se pergunte: E eu, faço com verdade?

Boas festas a todos, que 2010 seja o primeiro ano de uma nova fase e Feliz Tudo, sempre!

Beijocas

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Mais um que se vai....

Post de final de ano. Já sabem o esquema, certo?

Fiquem tranquilos, o título do e-mail é uma alusão ao ano que passou. E como passou rápido, né? A sensação é que 2008 passou batido. Tô aqui pensando que nem saí do Reveillon de Juquehy no ano passado e já estou indo pra Mangaratiba comemorar outro.

Vou divagar um pouco sobre atitude esse ano. Todo mundo sabe que eu sou um cara positivo, prefiro procurar soluções a problemas, blá, blá blá. A atitude que eu estou me referindo não é a atitude positiva em si, mas sim a de resolver tomar o controle de situações que parecem não estar ao seu alcance. Exemplifico: quantos de vocês têm um parente, amigo, vizinho ou qualquer pessoa que tem contato que está sempre reclamando que não teve chance na vida, que nunca encontrou uma oportunidade, que tomou rasteiras da vida, que sempre rezou tanto e nunca foi atendido, que sempre se coloca como coitadinho? Pois é, sempre tem alguém. E pessoas que reclamam do governo, da crise, da enchente, do trânsito? Pois é. É sobre essa atitude que eu quero falar, porque recentemente assisti a dois vídeos que me fizeram pensar muito - talvez pelo momento da minha vida, talvez pelo que vivi esse ano, não sei. Um deles é um discurso de Steve Jobs, fundador da Apple, e o outro é de Dick e Ricky Hoyt, uma dupla de pai e filho que completou o IronMan. Vou falar sobre os dois.

O primeiro é um soco no estômago por segundo. É uma das maiores lições de perseverança, talento e atitude que eu vi até hoje. O cara fundou a Apple, foi demitido (!), fundou a Pixar, reassumiu a Apple, teve câncer (e no diagnótico disseram que ele tinha poucas semanas de vida) e venceu a doença e todas essas adversidades pra se tornar um dos maiores criadores do nosso tempo. Tá aqui, ó:



Os segundos são pai e filho que competiram o IronMan - pausa pra explicação: o IronMan é um Triathlon realizado no Hawaii, com distâncias de 3,8Km de natação, 180km de ciclismo e 42km de corrida (é isso mesmo, não escrevi nada errado não). Até aí, nada de mais, certo? Errado. O filho, Ricky, tem paralisia cerebral e está numa cadeira de rodas desde o nacimento.Tá fácil pro papai fazer a prova puxando um bote com o filho enquanto nada, empurrando a bike com o filho enquanto pedala e o carrinho com o filho enquanto corre essa distância sobre-humana? Ok, só pra checar. Tá aqui, ó:



É sem legendas, mas não importa. As imagens falam mais alto do que qualquer tradução.

Porque o e-mail de Natal desse ano é sobre atitude? Porque a escolha óbvia nos dois casos seria tentar uma outra carreira (ou um cargo numa empresa que quisesse te contratar) quando você fosse demitido da empresa que fundou e nem pensar em fazer algum esporte com seu filho que não consegue controlar a própria saliva. Não é assim que pensamos, pelo menos em um primeiro momento? É mais fácil desistir do que tentar mais uma vez, e mais uma vez...."Ah Mazza, não é tão assim.". Ok, pode mentir pra mim que eu sou facinho e acredito em tudo, eu quero ver é você mentir pra pessoa que você vê no espelho - essa vai ser difícil de você enganar. O lance é que quando você deixa de tentar mais uma vez muitas vezes (releia, se não entendeu), o seu espírito se enfraquece e você deixa de acreditar que é capaz. E não há nada pior do que um espírito descrente, porque aí sua vida se torna uma sombra do que pode ser.

Eu escrevi lá em cima sobre os parentes, amigos, vizinhos e etc que preferem reclamar e se colocar em posição de vítima a tentar mais uma vez. E aí eu finalmente entro no tema: é aí que a atitude deveria ser outra. Ok, tem gente que tem muitas dificuldades na vida. Ok, tem gente muito pior do que a minha cabeça jovem e de classe média possa imaginar, mas eu garanto uma coisa pra vocês: Deus (ou o que quer que você acredite) nunca te dá mais do que você pode aguentar. Nunca. Se você está com problemas, é porque precisa se tornar um pouco mais forte, um pouco maior do que eles pra que sua vida seja completa. Pode acreditar. Se sua vida está uma desgraça só, pode ter certeza que tudo o que é preciso é uma faísca de incentivo, de força, de motivo pra bater os pés no fundo do poço e começar a subir. Dificuldades todos temos - alguns mais do que outros, e não cabe a nós julgar quem é o mais coitado da parada - mas o que vai te tornar um ser elevado é como você se posiciona diante delas. Por isso tenha motivos fortes, sonhos ambiciosos e metas claras, pra que você nunca seja menor que os problemas que aparecerem na sua vida. Seu nome está no SPC? Ótimo, significa que você não pode usar uma linha de crédito dinheiro porque não consegue controlá-lo. Sua saúde está um caco? Ótimo, significa que você abusou muito do seu corpo e ele reclamou. Sua família te odeia? Ótimo, significa que talvez o seu convívio não seja aceitável, e você vai precisar mudar um pouquinho seu jeito de agir. O mais importante de tudo o que falei aí em cima é um conceito simples: você pode mudar sua vida sim, por mais ferrado que esteja. Você pode conquistar mais sim, contanto que aprenda a jogar o "jogo do contente". Você tem o potencial de superar qualquer obstáculo que a vida jogar no seu caminho sim, basta se concentrar na solução, e não no problema. Essa é a atitude que eu acredito poder mover montanhas.

Parabéns pelos anos que passaram, e mire alto nos próximos que virão - se você tiver a atitude certa, talvez chegue a lugares que nunca sonhou. Senão, fique à vontade pra reclamar do mala que te manda e-mails no final do ano, do panetone que veio queimado, do movimento dos shoppings nessa época do ano e de tudo o mais que você quiser. Só não esqueça de reclamar da pessoa que você vê no espelho todos os dias, que é quem toma as decisões que fazem com que tudo isso seja um problema, e não uma oportunidade de tentar melhorar.

Beijocas, e em 2000 inove!