sábado, dezembro 28, 2019

Demorou mas chegou: é o texto de fim(!) de ano do Mazza!

(for English, scroll down!)

🇧🇷Senta que lá vem textão de fim de ano do papai Mazza. Esses 12 meses passaram como um sopro e muita coisa aconteceu na Austrália, no Brasil, no resto do mundo e na vida de todos, então vamos tentar manter a contagem de palavras sobre controle pra ninguém ter que perder muito tempo na rede social. 

O que acontece no mundo virtual é sempre maquiado pelos algoritmos que mantém a gente na nossa bolha, e sempre reforçam as nossas crenças e o que a gente acha que sabe sobre o mundo. Quando isso acontece, temos absoluta certeza que a nossa voz é a da maioria, que nossos pares pensam como nós e temos a validação da nossa maneira de ver o mundo, seja ela humana ou não. O que não aparece depois nessa vida virtual são as consequências de escolhas que fizemos e que vamos fazer – nos cliques, nas postagens, nas urnas, nas interações, nas discussões, nas ações – porque a timeline nunca vai mostrar o todo, principalmente quando esse todo é manipulado (conspiradores, uni-vos!) pelos mesmos algoritmos somados as agências, siglas, grupos, veículos ou o que quer que você queira acreditar que manda na informação hoje em dia. Talvez todas as anteriores.

A mensagem desse ano é simples mas vem cheio de responsabilidade, algo que, na minha opinião, falta no mundo hoje. Segura: SEJA O RESPONSÁVEL PELA SUA FELICIDADE. Não tem meias palavras, não tem figura de linguagem, não tem anagrama. É a forma mais crua que achei pra sugerir que todos nós assumamos a responsabilidade por (re)direcionar nossa vida ao invés de esperar que líderes despreparados, sem caráter e sem interesse em melhorar a vida do coletivo o façam. Talvez a esperança inata de que ainda haja gente boa no mundo, somada a indústria de filmes norte-americana e uma pitada de religião – veja bem: a palavra é religião, não fé – mantenham a gente refém a esse ideal utópico de que um “salvador da pátria” virá pra consertar os males do mundo e da nossa vida, e só então a gente vai ser feliz. Convenhamos: a liderança de hoje, na esmagadora maioria dos postos importantes – privados, públicos, governamentais, religiosos, todo lugar – tem uma mentalidade retrógrada, pequena, anti-humanista e que só defende os próprios interesses. São os sociopatas que precisam de validação no cargo, na conta bancária ou no ego pra compensar qualquer que seja o complexo que os aflige, e esse geralmente só é satisfeito (será que se resolve mesmo sem a ajuda de um profissional?) pisando em quem não percebe o problema.

Eu realmente acredito que em algum momento do nosso futuro próximo as instituições formadas pra manter a ordem e o progresso terão que ruir pra dar lugar a algo melhor, ou pelo menos algo menos pior. Daqui da minha cadeira – paradoxo, certo? Eu sei – isso só acontecerá se indivíduos bem preparados, bem resolvidos e com um ideal comum consigam juntar a coragem, a determinação e a invenção suficientes pra achar uma maneira de fazê-lo. Indivíduos como esses, dispostos a colaborar por um bem maior enquanto sacrificam um interesse pessoal, não acontecem por acaso e são formados como diamantes: sob imensa pressão e durante um período relativamente longo de tempo. Essa pessoas raramente deixam o seu destino nas mãos de gente menos capaz, menos motivada e muito menos honesta, simplesmente porque tem perspectiva o suficiente pra entender que o plantio é opcional mas a colheita é obrigatória, então tomar decisões difíceis, trilhar caminhos tortuosos, investir tempo e esforço no trajeto sinuoso (mas eticamente correto) levam ao fim do arco íris, mas não necessariamente ao pote de ouro. Aceitar (ou não) essa diferença sutil é algo que nem todo mundo está preparado pra fazer, então a gente terceiriza as decisões sem ter consciência disso e espera que dê certo.

Já escrevi sobre isso antes: felicidade pra mim não é formada por grandes acontecimentos, são os pequenos momentos felizes do dia a dia que pintam esse quadro multicolorido que a gente considera uma vida feliz. Essa é a principal razão pela qual é arriscado terceirizar a responsabilidade de alcançar essa felicidade diária pra alguém que, na maioria das vezes, não tem consciência do impacto que o seu egoísmo causa em larga escala e só se preocupa em satisfazer as próprias neuroses (os caras que eu mencionei aí em cima, lembram deles?). Eu acredito de verdade que se a gente assumir as rédeas das situações que estão sob o nosso controle dá pra mudar o nosso mundo. Essa decisão tem um impacto imenso no resto do mundo, mas a gente acha que é insignificante e esquece que não dá pra gerar mudança em larga escala sem mudar um pouquinho de cada vez. Mude a direção do leme pra chegar em outro lugar: nada marcante acontece de imediato, mas no longo prazo a diferença é fantástica. 

Pra finalizar acho que o que a gente tem que lembrar é que, assumindo a responsabilidade pela nossa vida, dá pra ser feliz sozinho – leia-se “sem a ajuda do cavaleiro no cavalo branco” – e, de quebra, ainda dá pra tornar obsoletos os idiotas no comando mais rápido do que a gente pensa. Parece inatingível mas não é: somos muitos, a proteção que “eles” tem é reforçada por instituições criadas por nós mesmos e a história nos mostra que essas instituições já foram derrubadas muitas vezes. Um povo responsável pela sua própria felicidade é muito mais forte do que imaginamos, simplesmente porque os “poderosos” não tem com o que nos ameaçar. Tirou? A gente vive sem. Colocou? A gente usa. Machucou? Daqui a pouco cura. Curou? A gente fica mais forte. Gente responsável pela própria felicidade não esmorece e não se intimida porque sabe que a resposta não está lá fora, está aqui dentro. E é olhando pra dentro que a gente acha a luz e a força necessárias pra começar essa revolução da mente, sem precisar de nenhum messias pra nos salvar.

Feliz Ano Novo!


🇦🇺Time for Ed’s End of the Year rant. These past 12 months flew by and a lot has happened in Australia, in Brazil, around the world and in everyone’s lives, so let’s try to keep the wordcount to a minimum so that we don’t spend too much time social networking. 

What happens online is always masked by algorithms that keep us in our bubble, and it always reinforces our beliefs and what we think we know about the world. When that happens, we become absolutely sure that our voice is in line with the majority, that our peers are on our side and it ends up validating our views on the world, no matter how right or wrong it is. What doesn’t seem to appear online are the consequences of our past and future choices – when we click(ed), post(ed), vote(d), interact(ed), discuss(ed) act(ed) upon – because our timeline never shows us the whole picture, especially when that picture is manipulated (conspiracy theorists, unite!) by the same algorithms and agencies, acronyms, groups, media outlets or whatever you wish to believe controls the information nowadays. Perhaps all of the above. 

This year’s message is simple but comes with a call to action that, in my opinion, is missing nowadays: MAKE YOUR OWN HAPPINESS. There’s no clever anagram, no beating around the bush. It is the rawest way to suggest that we should all take responsibility for the direction in which our lives are headed instead of waiting for a two-faced underprepared “leader” (who couldn’t care less about the collective wellbeing, by the way) to do it for us. Perhaps the hope that there are still good people in the world, fueled by a sprinkle of Hollywood and religion – please notice: the word is religion, not faith – holds us hostage to this utopic ideal that a hero will come and fix everything we fell is wrong with the world and our lives, and only then we’ll be able to be happy. Let’s face it: today’s leadership roles, in their vast majority – private and public sector, government, religion, everywhere – tend to think backwards and only focus on their own agenda, rarely thinking about the general public. They’re mostly sociopaths that seek validation through their job, bank account or ego to compensate for whatever complex they suffer of. Instead of owning up to it and seeking professional help, they’d rather step on the little guy to make themselves feel superior. 

I really do believe that sometime in the near future, institutions created to maintain order and guide progress will fall to make way for something better, or at least something not as horrible. From where I’m seating – paradox, right? I’m aware, don’t worry – this will only happen if well-prepared individuals come together with a common goal and can muster the courage, determination and creativity to find the way to do this. This kind of people that are willing to collaborate for the greater good while sacrificing their individual needs don’t come by often, and they’re forged like diamonds: under immense pressure for a long period of time. These guys rarely place their destiny in the hands of people that are less capable, less motivated and a lot less honest simply because they know better and understand that you reap what you sow, so hard decisions, difficult paths, time and effort lead to the end of the rainbow, but not necessarily to the pot of gold. Accepting or rejecting that subtle difference is something not everyone is prepared to do, so we tend to (unknowingly) outsource those decisions and hope for the best. 

I’ve said this before: happiness to me is not based on big events, it’s the day to day moments that add to this multicolored experience we call life. That’s the main reason why it’s so risky to outsource responsibility for these daily happy moments to someone that, most of the time, has no real perception of what their selfishness generates on a larger scale and is only concerned about feeding their own neurosis (the same gentlemen I mentioned earlier, remember?). I truly believe that taking charge of the situations under our control allows us to change our existence. This decision deeply impacts the rest of the world, but for some reason we deem it insignificant and forget that we can’t affect change in a larger scale without focusing on small but consistent changes. Adjust your helm and you’ll end up in a whole different place – nothing major will happen right away, but long-term results will be remarkable. 

In summary: we need to keep in mind that, by taking responsibility for our lives, we can be happy on our own – no need for a hero to save us – and, as a bonus, we can make the idiots in charge obsolete quicker than we think. It seems far-fetched but bear with me: there are a lot of us, their protection is provided by institutions we created and history shows us that we’ve overthrown similar institutions many times. When people are responsible for their happiness, it makes them a lot stronger simply because the idiots in charge lose their leverage and threatening us becomes much harder. Took it away? We’ll live without it. Forced it in? We’ll use it. Made it hurt? It’ll pass. It healed? Now we’re more resilient. People in charge of their happiness don’t fade away and are not easily intimidated because they know salvation lies within, not out there. It is by looking inwards that we find the light and strength necessaries to start this revolution of the mind, and there is no need to wait for the Messiahs of the world to save us. 

Happy New Year! 

É o texto de final de ano do Mazza! Em 2017, você curtiu muita coisa?

(for english scroll down, pra português é só continuar lendo! 😉)


🇧🇷 Fim de ano, festas, férias e textão do papai Mazza. Se eu não me engano isso já acontece há 10 anos, então pode colocar no rol de tradições natalinas junto com a piada do pavê e a uva passa no arroz. Só espero que o texto gere menos controvérsia que a uva passa, visto que foi inspirado pelo meu Feed de noticias da rede social do titio Mark.


O ano passou a galope, como é de se esperar pra um pai de primeira viagem. Adicione a essa receita o fato de eu ter voltado pra faculdade (Ciências Cognitivas e do Cérebro é o curso na Macquarie University), estar trabalhando em 2 lugares diferentes, dividir todas as tarefas de casa com a Bru – como deveria ser em toda casa, diga-se de passagem – e ter voltado a jogar basquete aqui desse lado e você encontrará um magrelo que dorme na frente do computador enquanto estuda, acorda e continua estudando. É assim que eu gosto, por isso nada de me fazer de coitadinho ou reclamar da vida, do universo e tudo o mais, porque eu sei que a resposta é 42. E assim chegamos no tema de hoje.


Se você leu isso aí em cima e sentiu um pouquinho de pena dessa pobre alma que vos escreve, então você tem uma das habilidades que mais me agrada no ser humano: a de se colocar no lugar do outro. Empatia é, talvez, o que mais falte nesse mundo cada vez mais conectado e, paradoxalmente, cada vez mais solitário. Todo mundo sabe tudo sobre todo mundo, compartilha tudo sobre si mesmo, opina sobre todos os assuntos possíveis e cada vez menos tenta se conectar de verdade com os seus semelhantes. As redes sociais projetam uma vida de plástico, perfeita e feliz, mas cada vez mais as pessoas se isolam e as taxas de depressão sobem de forma galopante – psicólogos, me corrijam se eu estiver delirando. Tragédias acontecem todos os dias, atentados e atos de terrorismo viraram notícia corriqueira, políticos (sempre eles!) de todos os países continuam vivendo de se servir do povo (e não de servir ao povo) e, no nosso círculo de amigos, o perigo de que algo catastrófico aconteça vem chegando cada vez mais perto. Nada disso parece incomodar o bastante para mobilizar a pessoa comum a fazer mais do que um clique, um compartilhamento, um comentário lacrador achando que “fez a sua parte”. E nada disso é feito pensando no próximo, é sempre pensando em si mesmo.


Parece um pouco extremo e é claro que eu tenho a minha parcela de culpa, mas vamos explicar um pouco melhor: o ser humano é um animal que prospera em grupo. Segundo os antropólogos, biólogos e mais um monte de xxxólogos, essa é uma das razões pelas quais a raça sobreviveu e subiu até o topo da escala evolutiva. A gente entende o que é sentir dor, frio, medo, fome e mais um monte de sensações mesmo quando não são as nossas. “Muitos animais também”, dirão os protetores dos bichinhos, e eu não discordo; o ponto é que temos a habilidade de raciocinar em cima disso e agirmos baseado no que julgamos ser a razão por trás do sentimento, ou mesmo baseados no resultado dele. Essa diferença entre nós e o resto da fauna do planeta é uma faca de dois gumes: nos dá a habilidade de julgar uma situação e escolher ir pra lá ou pra cá e também nos dá a responsabilidade de agir – e é a segunda que também anda em falta no mundo de hoje. Vivemos em uma época em que “fazer a sua parte” é impessoal, distante, desconectado e muito, muito rápido. Não pensamos mais que alguns segundos no que acabamos de ler no feed antes de compartilhar; não pensamos mais que alguns segundos no histórico da pessoa que postou antes de atacá-la ou defendê-la; não consideramos os sentimentos ou a realidade do outro antes de tomar uma decisão que a afeta – tudo em nome de proteger o nosso interesse imediato, e tudo sempre sem conexão nenhuma com a(s) parte(s) afetadas(s).


É claro, tudo isso é o que EU vejo, não é fato consumado e muito menos a verdade acima do bem e do mal. O que eu senti é que precisava compartilhar isso esse ano porque eu sei que eu sou 50% responsável pela pessoa que o Lucca vai se tornar – os outros 50% vem da Bruna, e eu sei que os 50% dela são melhores que os meus; depois de 17 anos ela continua me ensinando como ser melhor, continua liderando pelo exemplo e mostrando ao Lucca todo dia o que é amar com todo o coração, e isso pra mim é a maior prova de responsabilidade e o maior exemplo de que ela decidiu ser a melhor mãe do mundo, não foi algo que aconteceu por acaso - e tudo isso começa na CONEXÃO que ela tem com ele. Quando você tem esse exemplo em casa, você tem que repensar todas as suas decisões, porque elas vão influenciar diretamente os meus 50%, e errar a mão no emprego mais importante e mais definitivo que eu já tive na vida não é algo que me apetece – vocês que me conhecem sabem o quanto eu não gosto de errar UM arremesso, imaginem só errar no exemplo que eu vou dar pro meu filho, que vai formar o seu caráter e que vai direcioná-lo pra uma experiência humana completa ou pra uma existência individual em grupo.


O tom desse ano parece ser um pouco mais pessimista do que o normal, mas eu prometo que não é. Apesar de agressivo, ele foi escrito com a melhor das intenções e deve ser lido com verdade, ao invés de reatividade; em vez de ler pra responder, leia pra entender e pra analisar. E se algo fizer sentido, o meu desejo nesse período de festas é que nós consigamos nos olhar no espelho sem ter que se igualar ao que a gente acha que o mundo precisa que sejamos. Que a gente consiga se olhar no espelho pra se conectar com o nosso verdadeiro eu, e que consigamos estender essa conexão pra fora de nós. O mundo com certeza, vai “curtir” mais.


Boas festas e a gente se vê no ano que vem, seus lindos!


🇦🇺 Every year for the past 10 years, the process has been the same: holidays, Christmas traditions and a long, heartfelt article written by yours truly. I’m just hoping this years’ is not as controversial as adding coriander or raisins to your holiday recipes, as it was inspired by a LOT of stuff that popped onto my news feed over the course of the year.


This year has been a lot shorter than the previous ones, and that’s what usually happens to first-time parents. To add assault to injury, I’ve decided to go back to Uni (Bachelor in Human Sciences with a Major in Cognitive and Brain Sciences at Macquarie University, since you asked), I’m currently working 2 jobs, I share all household chores with Bruna – as it should be in every household, might I add – and have managed to go back to regular play on the basketball court, so the end result is a skinny dude that falls asleep in front of the computer while finishing assessments, wakes up and keeps writing assessments. That’s how I like it, so you won’t hear one ounce of complaining about life, the universe and everything because I already know the answer is 42. And that’s how we land in today’s theme for this one.


If you've read the above and felt a little sorry for this poor soul, then you possess one of my favourite abilities in a human being: putting yourself in another person’s shoes. Empathy is, perhaps, what’s missing the most in our highly connected and paradoxically lonely world. Everyone knows everything about everybody, shares everything about themselves, weighs in about every subject and yet real connection to another human is more and more rare in the social networking environment. What we see is a plastic existence, where everything is perfect and everyone is happy, and yet more and more people are becoming isolated and depression rates are rising in alarming fashion. Tragedies happen day in and day out, attacks and terrorists acts are also everyday news, politicians (always the same guys!) live on exploring – and not serving – the people, and the risk of something catastrophic happening to someone close to us moves closer and closer. None of that seems to bother us enough to act on it, or even to do more than liking, sharing or commenting, with the absolute certainty that we “did our share”. The thing is, we don’t do it thinking about someone else, we only think about ourselves.


I know it sounds a little extreme and of course I’m also to blame, but let’s dig a little deeper: human beings are a pack animal. According to anthropologists, biologists and a whole lot of other xxologists, that’s one of the reasons why we survived, thrived and climbed to the top of the evolutionary chain. We understand what it is to feel pain, coldness, fear, hunger and whole bunch of other feelings even when they’re not our own. “Many animals can too” is what you’ll hear from animal protectors, and I do not disagree; the point is we have the ability to think it over and act based on what we think is the reason behind the feeling, or even based on its results. That difference in understanding is a double edged sword: it gives us the ability to assess a situation and choose to go or stay, but it also bestows the responsibility to act upon us – and that’s another thing missing in today’s world. We’re living in a time where “doing our share” is impersonal, distant, disconnected and very, very fast. It doesn’t take us more than a couple of seconds to share something in our feed; we don’t consider for more than a couple of seconds what the person that posted is going (or has gone) through before we attack of defend them; we never think about someone else’s feelings or if they live in a different reality before we make a decision that affects them – all to protect our own interests, and Always trying to maintain a safe distance so we don’t have to deal with the actual outcome that our “share” might have caused.


Calm down now, we both know this is all a figment of my imagination; it’s not a fact or the undisputed truth – far from it. Nonetheless, it did not prevent me from writing this mainly because I’m responsible for 50% of the person Lucca will become – the other 50% comes from Bruna, and I know for a fact that her contribution is way better than mine; after 17 years she still teaches me how to be better, she always leads by example and shows Lucca every day what it is to love whole-heartedly, and for me that is the greatest display of responsibility and the clearest example that she decided she was going to be greatest mom in the world, it wasn’t some random occurrence – and all of that starts with the CONNECTION she has with him. That’s a tough act to follow, so you need to think twice about your decisions as they are going to influence the outcome of your 50% contribution, and under delivering on the most important job I’ve ever had is not going to cut it – I’m the guy that doesn’t like to miss ONE shot, let alone being a poor example on the character-forming years I have with my child, years that will either provide him with the tools for the entire human experience or for an individual group existence.


I know this year’s text sounds a little more pessimistic than previous years, but I assure it is not. Although it is a little aggressive, it was written with the best of intentions and is supposed to be read with truth, and not our usual reactivity; instead of reading to respond, read it to understand and ponder. If any of the above made sense, then my wish for this Holiday season is that we may all have a chance of looking ourselves in the mirror without having to match what we think the world needs us to be; may we look in the mirror to try and connect with our true selves, and then try to extend that connection outwards. The world will, undoubtedly, “like” it better.


Happy holidays and see you next year, beautiful people!

Temos tanto tempo assim? Feliz 2017!

Hoje é dia de texto do papai(!) Mazza, então deixa o tio do pavê dormindo no sofá do lado da vovó assistindo o especial de Natal da Simone e vem comigo rever o que senti em 2016. Pra quem é novo, isso aqui é uma tradição que consiste em linhas pretensiosas mas verdadeiras, escritas por este que vos fala e movidas pela emoção das festas. E sim, é TEXTÃO.
Pensei muito pra escrever esse ano porque ele foi cheio de maravilhas pra nós aqui dessa lado, mas uma coisa aconteceu agora no finalzinho de 2016 que me fez reconsiderar o tema da redação. Não só isso, me fez pensar em algo realmente importante e inevitável, e não só no mundano e corriqueiro que eu costumo abordar. Hoje eu escrevo sobre ter a chance de fazer algo importante antes do fim. Parece sombrio, mas espera mais um parágrafo pra confirmar se esse é o tema real ou é só click-bait.
A gente vive a vida toda achando que o fim está longe – não só o fim bíblico, mas o fim do projeto, o fim da balada, o fim do beijo, o fim do jogo. “Ainda tem tempo” pensamos nós, e assim procrastinamos as coisas pequenas que vão nos roubar coisas importantes antes do fim. Se formos falar da vida, a discussão fica ampla demais e ninguém acompanha, então vamos dar o exemplo do Domingo, que eu sempre ouço que é o dia mais curto da semana.
O Domingo começa depois dos outros dias porque “É o único dia que eu posso dormir até tarde”, então já é mais curto; como começa mais tarde, o café da manhã vira almoço - aí então a manhã já está perdida, junto com qualquer tipo de atividade que poderia ser marcada (como aquela ida a academia ou a visita ao parente que vemos uma vez por ano). O almoço vira lanche da tarde e normalmente é regado a álcool, o que torna a tarde preguiçosa e a faz se enrolar no começo do jogo de futebol – com a tradicional hipnose coletiva que se segue até o final do dito cujo – e emenda na noite "Fantástica", aniquilando assim qualquer chance de se ler aquele livro, preparar aquela apresentação, fazer a lição de casa ou arrumar aquele armário; isso vai servir de desculpa pra que, na 2ª feira, você não tenha tempo de pensar naquela idéia de negócio pra sair do emprego, ou de ligar praquele amigo que você viu semana passada ou de preparar aquele jantar romântico pra sua esposa – tudo porque precisa “dar um jeito naquele armário”. A partir daí, a semana está imersa no trabalho e ninguém "tem tempo pra nada". Vê como as coisas pequenas (como acordar em um horário decente no Domingo) tiram o lugar das coisas importantes?
Pois bem, amiguinhxs, agora vem a parte chata: o fim está mais próximo do que a gente imagina. Pensei nisso há algumas semanas quando vi uma amiga querida tendo que lidar com isso e pensei nisso hoje novamente, quando contemplava o quanto pode ser difícil preparar o Lucca pro mundo e, ao mesmo tempo, mantê-lo perto. Pensei em quanto tempo vou ter com ele e as coisas que vão me fazer abrir mão desse tempo precioso. Pensei em como ele vai encarar o nosso tempo juntos: se vai ser uma tarefa ou um prazer, se ele vai se esforçar pra vir tomar um café conosco ou se vai preferir os amigos e, quando vir, já não teremos mais tempo. E aí lembrei que a gente é quem faz o nosso tempo, e que a ordem de importância não é uma só pra todo mundo. Lembrei que quando você faz o seu melhor antes do fim, não pula as etapas e tem as suas prioridades claras, você não se arrepende do tempo ocioso que você escolheu tirar só pra ficar sentadinho do lado de quem escolheu, sem motivo e sem hora pra ir embora. Você não se arrepende de ter deixado uma ou outra oportunidade profissional passar porque está trabalhando na sua start-up no seu tempo livre; você esquece do arremesso que errou e volta pra defesa porque é lá que o jogo é ganho, e não na jogada mirabolante que vai aparecer no jornal mas que só vale 2 pontos. E você pode estar com quem é realmente importante na sua vida enquanto o fim não chega, porque nada pode ser pior do que achar que não esteve lá quando podia estar.
Esse ano não tem anagrama, não tem trocadilho, não tem slogan pra você repostar pros seus amigos – que, a propósito, é o maior elogio que eu posso receber. O que tem desse lado é muito amor e muita vontade de despertar a vontade de que você seja melhor antes do fim. Sério. O molequinho aí da foto me move todo dia, e ele só está aqui a 3 semanas, então pense bem em quem (ou no quê) é importante faz alguma coisa antes que o tempo te passe a perna e você se pergunte: "Será mesmo que eu tinha tanto tempo assim?"