sábado, dezembro 28, 2013

Esse 2000 foi 13? Calma que ainda pode piorar.... lá vem o texto de fim de ano do Mazza!

Oi pessoal,

Lá vamos nós pra mais um texto de fim de ano do Mazza. Muita gente recebe, alguns me cobram, poucos (eu espero) não aguentam mais, outros estão recebendo pela primeira vez e assim o show não para. É assim: inspiração das festas + gosto pra escrever + experiências do ano todo = texto bonitinho, caprichado e que vem do lado esquerdo do peito. Matemática literária simples, não? Vamos a ele.

Esse ano, como alguns de vocês acompanharam pelas redes sociais, foi um pouco difícil pra mim. Passei por um período complicado, uma certa crise-de-um quarto-de-idade, digamos assim. Duvidei de mim, do trabalho, dos motivos, da missão, do meu papel na minha própria vida. Conversei, analisei, pensei, chorei, superei. No processo, tive que buscar respostas doloridas e sinceras que só eu poderia responder, e tive que ir atrás dos motivos por trás dessa revolta toda pra garantir que ela não aconteça de novo. Achei muito mais do que eu achei que acharia, achando que tinha perdido tudo o que perdi de vista só momentaneamente. (eu releria essa frase, porque ficou maior legal...).

"Mas Mazza, porque esse achado todo pode ser relevante pra mim?" Na verdade todo mundo tem as suas próprias respostas e deveria estar pouco se lixando pra opinião do magrelo, mas as vezes dá pra tirar alguma coisa boa das experiências negativas dos outros pra que você mesmo possa evitar um ou outro percalço no seu caminho.

O grande segredo do que me tirou do buraco emocional que eu estava é, como sempre, muito mais óbvio do que a gente pensa que vai ser. Eu precisei reencontrar a PAIXÃO por tudo o que fazia na vida. "Ah Mazza, fala sério! Li isso tudo pra ouvir essa baboseira?". É. E se não gostou, melhor nem continuar porque daqui pra frente é tudo loucura da minha cabeça que não para. 

O que clicou no momento que pensei nisso foi, novamente, o "Stay hungry, stay foolish" que Steve Jobs menciona em seu discurso para os formandos de Stanford. A paixão por qualquer coisa é difícil de ser mantida no cotidiano, porque você sempre tem que estar atento a algo que te impressiona, te move, te faz pulsar. A rotina pessoal e a falta de motivação profissional são verdadeiros assassinos da capacidade humana, porque com elas perdemos a habilidade de nos deixar emocionar (em todos os sentidos) por coisas pequenas, óbvias, corriqueiras - e nem por isso menos especiais. Achar algo apaixonante no caminho de casa pro trabalho é complicado, achar algo apaixonante no mesmo trabalho que você faz há alguns anos é mais complicado ainda, e essa lista passa por relacionamentos, amizades, programas de TV, lazer, tudo o que cabe da nossa vida cabe nessa reflexão. Talvez o grande segredo seja se perguntar constantemente o que te faz fazer/ver/comer/viver aquilo que está fazendo. 

Lá vamos nós pra mais um conceito utópico: achar algo apaixonante na rotina. Mas aí eu vou dizer pra vocês que isso pode salvar a sua vida - literalmente. Umas das palestras da TED que eu mais gostei esse ano chama-se "Como fazer do Stress seu amigo" e está no do link abaixo; nela, a psicologa Kelly McGonigal fala o seguinte: "Chasing meaning is better for your health than trying to avoid discomfort. (Buscar significado (na sua vida) é melhor para a sua saúde do que tentar evitar o desconforto)". É muito interessante: quando você se prepara para o stress e o vê como algo bom pra você, seu corpo responde de maneira (muito) diferente. O grande lance não é evitar o stress, mas sim buscar algo que faça com que o stress valha a pena. Vale o clique, tem legendas e tudo o mais e só dura 15 minutinhos: http://www.ted.com/talks/kelly_mcgonigal_how_to_make_stress_your_friend.html

Pra finalizar: sei que não dá pra ser apaixonado por tudo a todo momento, mas acho que procurar pequenos prazeres em tudo não só é válido, mas necessário na rotina que temos hoje. Se empolgar com uma vaga que abre assim que você chega, ou com o elevador que estava te esperando, ou com a camiseta que você queria usar e era a primeira da gaveta, ou com um prato que você gosta no restaurante, ou com a educação inesperada de um passante na rua, ou em chegar em casa 1 minuto antes da chuva, ou ganhar a rifa do prédio, ou qualquer outra situação comum que passa batido pode mudar muito a nossa rotina, o nosso humor, a nossa vida. Voltar a ter paixão pelas pequenas vitórias e deixar o universo se encarregar das grandes pode nos restaurar a sanidade nessa loucura que é o dia a dia. Ou deixar todo mundo pirado de vez, o que também é divertido.

Feliz 2014 pra todos nós, loucos e apaixonados pela vida!

terça-feira, janeiro 08, 2013

Já que 2012 acabou, vem aí o texto de COMEÇO de ano do Mazza!

Oi pessoal,

Lá vamos nós para mais um texto de "final" de ano do Mazza. Pra quem nunca recebeu, funciona assim: o ano vai acabando, as resoluções de ano novo vão aparecendo, os balanços de final de ano vão fechando (e as balanças vão subindo...) e aquele sentimento de renovação inspira o magrelo a compartilhar um pensamento com quem tiver paciência de ler. Legal pra quem gosta, mala pra quem não gosta (é só avisar!) e revigorante pra mim, que coloco alguns pensamentos no papel. Como vocês puderam perceber, o final de ano virou começo de ano, mas a intenção é a mesma.

Esse ano foi interessante pra mim porque, ao contrário dos últimos, comecei, passei e terminei insatisfeito - professores de português que me perdoem, mas vou repetir muito o termo "insatisfeito" no texto. Essa insatisfação crônica que senti durante o ano todo foi muito incômoda, mas acabou sendo uma coisa boa no final das contas. Ao contrário do sentimento negativo que geralmente acompanha algo que incomoda, resolvi encarar essa insatisfação de maneira positiva e cheguei a conclusão que isso nos leva pra frente, coloca as coisas em perspectiva, nos faz buscar algo melhor para que fiquemos, enfim, satisfeitos. A maioria do que nos deixa insatisfeitos é trivial, mas nós temos a tendência de elaborar problemas maiores a partir disso. E é aí que a perspectiva entra nesse jogo: há situações que não tem soluções diretas ao nosso alcance - como a qualidade dos motoristas a nossa volta ou a honestidade dos políticos, pra citar dois exemplos comuns. Com a correria do dia a dia e nosso padrão mental pra resolver ou criar problemas, esquecemos de parar um minuto e pensar se realmente aquilo precisa nos afetar tanto assim e se a resolução é nossa responsabilidade. Se a resposta pra qualquer das perguntas é não, porque não assumir uma postura positiva diante da situação e deixar que o "problema" (entre aspas mesmo) se resolva?

Ok, isso não é tão simples assim. Essas insatisfações diárias - que não são realmente importantes mas drenam a nossa energia - são hábitos que temos e que serão difíceis de mudar. Você só conseguirá largar um hábito quando substituí-lo por outro, e jogar o jogo do contente todas as horas de todos os dias é bem cansativo. Por isso, o jogo não é deixar de ficar insatisfeito, mas se policiar pra ficar insatisfeito com as coisas realmente importantes. Pedindo uma licença poética aos psicólogos, acho que  projetamos muito de nós mesmos nas situações que nos incomodam. Você já se pegou reclamando sozinho de um motorista que cortou a fila pela pista de fora pra virar a esquina e se pegou fazendo isso duas quadras depois? Eu já. Aí você diz: "Mas Mazza, eu tenho que deixar o espertão entrar e ficar como um idiota na fila?". Não sei, depende do quanto você acha importante na sua vida entrar na rua antes do espertão e do quanto você quer continuar insatisfeito todos os dias.

Minuto mea culpa: se você já me viu dirigindo, sabe que eu reclamo o tempo todo (comigo mesmo) de motoristas ruins, malandros ou simplesmente idiotas. Esse é o ponto que eu quero explicar: essa insatisfação crônica com o trânsito é, na verdade, uma insatisfação com a falta de perícia, de solidariedade, de capacidade das pessoas no trânsito. O trânsito em si é (trocadilhos a parte) somente um veículo pra que a minha insatisfação se manifeste. É um pouco difícil de explicar, mas eu sinto que a coisa é mais abrangente do que uma fechada, tem a ver com a mentalidade do motorista que deu a fechada em relação ao próximo e a situação em que ele próprio se encontra naquele momento - envolve educação, ego, stress, trabalho, metas, situação familiar e financeira e mais uma penca de coisas que eu não tenho como (e nem quero!) controlar. E se eu não tenho como controlar, porque direcionar minha energia a isso? Pois é, pensando assim eu acho fácil de entender, e consequentemente, de mudar.

Outra face da insatisfação que eu notei esse ano foi a eterna busca por mais. Ser mais, ter mais, fazer mais. Essa eu acho saudável, e Steve Jobs mencionou no seu discurso de Stanford: "Stay hungry, stay foolish". A insatisfação que nos leva a evoluir deve estar presente em todos os momentos da vida, desde coisas sem importância e que só nós vamos notar, até ações grandiosas que influenciam centenas e até milhares de pessoas com quem convivemos. As vezes a gente subestima o alcance das nossas ações e o quanto somos "vigiados" pelo nosso círculo de influência, principalmente nessa era das mídias sociais, e é algo que teremos que lidar cada vez mais. Somos figuras públicas agora, mesmo que não queiramos. E em breve vai vir aí uma geração ainda mais conectada, atenta, inteligente e rápida pra absorver informações. Se nós, os exemplos, não buscarmos a constante evolução e mostrarmos que, em doses certas, a insatisfação nos leva pra frente, corremos o risco de ter que assistir nossos filhos, netos e bisnetos destruírem os valores que consideramos importantes hoje, como lealdade, ética, caráter, solidariedade e amor ao próximo. "Seja a mudança que quer ver no mundo", disse Ghandi, e é claro que ele estava certo. Se a nossa insatisfação for bem direcionada, acho que podemos ficar bem satisfeitos com o futuro que nos espera. 

Feliz 2013!