E lá vamos nós para mais um texto de final de ano. Esse ano eu me inspirei numa conversa com um dos melhores bateras (e um dos caras mais legais) que eu já conheci. Não vou citar pelo nome porque tenho muito amigos que mereceriam ser citados e não quero ciuminhos desnecessários, mas ele vai saber que conversa foi essa. Vou falar sobre a verdade em dois momentos: "falar a" e "fazer com".
Falar a verdade o tempo todo é algo muito difícil. Talvez seja pelo fato de querermos agradar as pessoas à nossa volta, evitar atritos desnecessários ou simplesmente para não desapontar as pessoas enquanto elas estão na nossa frente, mas o fato é que todos nós mentimos. São pequenas mentiras (ou mentiras brancas, segundo os americanos) que não influem em nossa vida a ponto de se tornarem importantes, mas elas estão lá. E se somarmos todas elas, veremos que falar a verdade pode ser mais doloroso no curto prazo, mas muito mais gratificante no futuro.
Quando alguém te convida pra ir tomar um chopp com alguns amigos e você diz que vai mas já sabe que não vai estar disposto, você não falou a verdade. Quando alguém te pergunta algo sobre um tema que você discorda, mas você concorda porque não está disposto a discutir naquele momento, a verdade foi tomar uma água. Quando você aceita um trabalho ou projeto que sabe que vai ter que cancelar ou pedir uma extensão no prazo porque não tem tempo hábil de terminá-lo de maneira satisfatória, a verdade estava visitando o vizinho. E porque negar o convite, discutir o tema ou expor sua dificuldade em iniciar algo a mais pode ser positivo pra você no futuro? Porque quando você diz que vai e não vai algumas vezes, as pessoas não convidam mais. Porque se você discute e expõe seu ponto de vista, quando o assunto surgir novamente você não terá que se controlar pra expor sua real opinião, causando desconforto e emoções acumuladas. Porque se você mostra seu limite a seu chefe ou contratante, sempre que ele for ultrapassado você será reconhecido por isso. Simples, não?
Sim, ao falar a verdade você desapontará algumas pessoas momentaneamente. Dizer "não" a um convite pode provocar esse sentimento na pessoa que o convida, mas ela saberá que quando o convidar e você aceitar, você estará lá. Existe algo mais frustrante do que ficar na expectativa de alguém que, no final das contas, não virá? Pois é. Ao assumir algo fora do seu alcance e não cumprir, você decepcionará pessoas de maneira muito mais definitiva. E reputação, fama, currículo e tudo relacionado à percepção das pessoas sobre você é bem mais difícil de reverter. Por isso faça da verdade o seu lema, mesmo que seja difícil no início. Com o tempo, ficará (muito) mais fácil e você se verá com mais tempo livre para aceitar convites, simplesmente porque não estará lutando para manter todos os compromissos que aceitou para agradar as pessoas.
E fazer com verdade? Nada mais é que acreditar em tudo o que você se dispõe a fazer. Quando eu digo acreditar, leia: "Ter tanto prazer, tanta gana, tanto tesão de fazer aquilo que você mal pode esperar pra começar". Ok Mazza, isso é muito romântico mas não funciona na prática. Isso é o que você, que não faz com verdade, pensa. Peguei pesado agora, mas vocês vão ver que é por um bem maior.
Estamos condicionados a fazer algumas coisas que não temos paixão para ganhar dinheiro. Isso é uma afimação mesmo, e é inerente ao nosso estilo de vida moderno. Não somos estimulados a seguir nossa paixão, mas sim a achar uma profissão que aguentemos exercer todos os dias e que nos gere um sustento e um mínimo de paz para tentarmos encher nossa vida com paliativos que nos ajudem a esquecer que não fazemos o que realmente somos apaixonados. Faça um exercício comigo, respondendo a essas perguntas (uma de cada vez, e não leia a de baixo antes de renponder a de cima!):
1. Quantas horas você trabalha por dia?
2. Se você pudesse, trabalharia menos horas ou mudaria de emprego ou atividade?
3. E se você ganhasse a mega sena de Natal no valor de R$ 100 milhões, continuaria trabalhando o mesmo número de horas, com o mesmo foco e no mesmo lugar?
Se a resposta pra última pergunta é não - e só você vai saber a verdade dessa resposta - sinto lhe dizer mais você não é apaixonado pelo que faz. Assista a entrevistas e leia biografias de caras como Steve Jobs, Bill Gates, Warren Buffet, Michael Jordan, André Agassi, Antonio Ermírio de Morais, Paul McCartney. Esses caras têm mais dinheiro que seus bisnetos podem gastar, e continuam em pleno produção na área que escolheram. Porque? Porque fazem pelo amor incondicional à atividade, fazem pela realização e satisfação pessoal, fazem com verdade.
Isso tudo é muito bonito, o discurso é decente e até te fez pensar um pouco, mas a Eletropaulo não se importa se você faz com verdade ou não - a conta de luz é de verdade e pronto. E eu digo: a melhor maneira de ver sua vida passar é não buscar o seu sonho, seja ele qual for. Com ou sem recompensa, com ou sem resultado, com ou sem apoio de alguém que você ama, mas pela pura sensação de que aquilo significa algo pra você. Na minha opinião, a única maneira de realmente viver uma vida é achar um significado maior do que um holerite pra ela. É achar um significado maior do que trabalhar metade do dia pra pagar as contas, dormir a outra metade porque está cansado e “reservar” o final de semana e as férias pra dizer que viveu. Tem tantas coisas realmente importantes na vida e que a maioria de nós deixa passar porque está ocupado demais trabalhando pra viver, que acabamos nos esquecendo de viver. E isso é a maior mentira que podemos contar pra nós mesmos: tentar se convencer de que o medíocre é bom o bastante e que a vida "é assim mesmo". Se você não encontrou nenhum amigo hoje, ou não beijou quem você ama, ou não pensou antes de dormir no quanto pode fazer a mais por você mesmo, recomendo que você se pergunte: E eu, faço com verdade?
Boas festas a todos, que 2010 seja o primeiro ano de uma nova fase e Feliz Tudo, sempre!
Beijocas