sexta-feira, dezembro 19, 2014

Coragem, jovem gafanhoto. O melhor ainda está por vir.

Amiguinhos e amiguinhas,

Mais um ano chega ao fim, mais um texto do tio Mazza. Quem já leu algum pode pular pro próximo parágrafo, quem não leu fica com um pouco de contexto: gosto de escrever, fico saudoso no final do ano, penso no que passei e aprendi e coloco no papel (virtual). Gostou ou não gostou, sinceramente não faz diferença; faço isso por mim e para mim, mas fica mais legal ainda ouvir uma palavra ou outra de incentivo, que é o que tem acontecido nos anos em que escrevi.

Esse foi o ano mais importante que vivi até hoje, então o texto vem carregado. Carregado de amor, medo, ansiedade, dor, alegria, saudade, frustação, felicidade, coragem e mais um caminhão de sentimentos  que todos nós escolhemos sentir em diferentes momentos da vida. São escolhas sim, porque quem manda na situação é a mente – você escolhe ter medo ou coragem, ansiedade ou excitação, solidão ou paz. As vezes essa escolha é inconsciente, as vezes você se deixa levar pra não ter que fazer força pra crescer e as vezes você sai da zona de conforto momentaneamente, assume o leme e escolhe pra onde vai direcionar a onda. Parece fácil, mas não é.

No momento que decidimos de verdade mudar pra Austrália, muita coisa mudou na minha cabeça. A decisão veio em Setembro do ano passado, por isso o processo foi interessante e dividido em fases. Primeiro, não sabíamos muito o que fazer, onde começar, com quem falar; depois, já com um plano mais traçado, começamos a contar pra uma ou outra pessoa pra sentir se estávamos loucos ou não; veio uma vaga em Fevereiro (essa não contamos pra ninguém) e a primeira frustação, mas logo em seguida vimos o quanto queríamos de verdade estar aqui. Depois disso, não existia mais medo de ficar longe, de recomeçar, de largar toda uma vida construída por aí. Só tinha a coragem de recomeçar a 15.000km de distância, em outra língua, sem família ou amigos e com um sonho do que a vida poderia ser.

Falar de coragem como um conceito abstrato é fácil: “Viu a menina que ficou na frente do tanque? Que coragem!”, “Lembra do João? Pediu demissão e abriu o próprio negócio. Corajoso!”, “Caramba, e a Bru e o Mazza? Mudaram pra Australia sem ter ninguém por lá, que coragem”. A verdade é que a maioria das pessoas não entende que coragem não é a ausência de medo, mas sim a força e a decisão de superar o medo. De novo: a força e a decisão de superar o medo. Esse é o truque, conversar com a sua mente e convencê-la que aquele risco que ela te mostrou só existe se tudo, absolutamente tudo der errado. Conta pro tio Mazza: quantas vezes absolutamente tudo deu errado, de verdade? Pensa com calma. Pois é. Só que a gente fica tentando se proteger demais, e na maioria das vezes deixamos o risco de errar se sobrepor a vontade de acertar.

É engraçado conversar com vocês daqui e contar o nosso dia a dia, porque parece que estamos fazendo propaganda do governo australiano. Tudo é lindo, as coisas funcionam, moramos perto do trabalho, não temos (e nem precisamos de) carro, enfim, mudamos pra melhor. Isso nunca aconteceria se nos deixássemos vencer pelo monstrinho medroso que jogava preocupação atrás de preocupação na nossa frente quando não tínhamos certeza. O ponto é que a nossa vontade de acertar era tão grande, tão grande que nos deu coragem pra encarar o risco, lidar com as consequências e mirar no futuro, fosse ele bom ou não. Volta um pouquinho e leia de novo: “nossa vontade de acertar....”. Percebeu como a coragem não é o motivador, mas sim o meio? A coragem é só a ponte que liga a vontade ao resultado, não é o motor do carro – esse é outro segredinho que ninguém nos conta. A gente fica esperando a coragem pra fazer as coisas, quando na verdade o que falta é a vontade.

Todo mundo pensa diferente, todo mundo tem situações de vida diferentes, todo mundo pesa as coisas de forma diferente. O que pra mim é leve, fácil, comum pode ser o maior desafio que você já viu, e vice versa. A dica do milhão é achar o motivo pelo qual você não teria medo de fazer algo, o motivo que te faz ir atrás de algo, o motivo que te faz analisar o risco pelo que ele realmente é, e não pelo que a sua mente medrosa te conta que é. Quando isso acontecer, o medo vira piada, a coragem vira hábito e a decisão de ser mais feliz é toda sua.

O melhor está por vir, jovem gafanhoto, se você se deixar ter coragem pra aceitar a mudança  que quer ver na sua vida. Vale a pena.