Amiguinhos e
amiguinhas,
Mais um ano chega ao
fim, mais um texto do tio Mazza. Quem já leu algum pode pular pro próximo
parágrafo, quem não leu fica com um pouco de contexto: gosto de escrever, fico
saudoso no final do ano, penso no que passei e aprendi e coloco no papel
(virtual). Gostou ou não gostou, sinceramente não faz diferença; faço isso por
mim e para mim, mas fica mais legal ainda ouvir uma palavra ou outra de
incentivo, que é o que tem acontecido nos anos em que escrevi.
Esse foi o ano mais
importante que vivi até hoje, então o texto vem carregado. Carregado de amor,
medo, ansiedade, dor, alegria, saudade, frustação, felicidade, coragem e mais
um caminhão de sentimentos que todos nós
escolhemos sentir em diferentes momentos da vida. São escolhas sim, porque quem
manda na situação é a mente – você escolhe ter medo ou coragem, ansiedade ou
excitação, solidão ou paz. As vezes essa escolha é inconsciente, as vezes você
se deixa levar pra não ter que fazer força pra crescer e as vezes você sai da
zona de conforto momentaneamente, assume o leme e escolhe pra onde vai
direcionar a onda. Parece fácil, mas não é.
No momento que
decidimos de verdade mudar pra Austrália, muita coisa mudou na minha cabeça. A
decisão veio em Setembro do ano passado, por isso o processo foi interessante e
dividido em fases. Primeiro, não sabíamos muito o que fazer, onde começar, com
quem falar; depois, já com um plano mais traçado, começamos a contar pra uma ou
outra pessoa pra sentir se estávamos loucos ou não; veio uma vaga em Fevereiro
(essa não contamos pra ninguém) e a primeira frustação, mas logo em seguida
vimos o quanto queríamos de verdade estar aqui. Depois disso, não existia mais
medo de ficar longe, de recomeçar, de largar toda uma vida construída por aí.
Só tinha a coragem de recomeçar a 15.000km de distância, em outra língua, sem
família ou amigos e com um sonho do que a vida poderia ser.
Falar de coragem como
um conceito abstrato é fácil: “Viu a menina que ficou na frente do tanque? Que
coragem!”, “Lembra do João? Pediu demissão e abriu o próprio negócio.
Corajoso!”, “Caramba, e a Bru e o Mazza? Mudaram pra Australia sem ter ninguém
por lá, que coragem”. A verdade é que a maioria das pessoas não entende que
coragem não é a ausência de medo, mas sim a força e a decisão de superar o
medo. De novo: a força e a decisão de superar o medo. Esse é o truque,
conversar com a sua mente e convencê-la que aquele risco que ela te mostrou só
existe se tudo, absolutamente tudo der errado. Conta pro tio Mazza: quantas
vezes absolutamente tudo deu errado, de verdade? Pensa com calma. Pois é. Só
que a gente fica tentando se proteger demais, e na maioria das vezes deixamos o
risco de errar se sobrepor a vontade de acertar.
É engraçado conversar
com vocês daqui e contar o nosso dia a dia, porque parece que estamos fazendo
propaganda do governo australiano. Tudo é lindo, as coisas funcionam, moramos
perto do trabalho, não temos (e nem precisamos de) carro, enfim, mudamos pra
melhor. Isso nunca aconteceria se nos deixássemos vencer pelo monstrinho
medroso que jogava preocupação atrás de preocupação na nossa frente quando não
tínhamos certeza. O ponto é que a nossa vontade de acertar era tão grande, tão
grande que nos deu coragem pra encarar o risco, lidar com as consequências e
mirar no futuro, fosse ele bom ou não. Volta um pouquinho e leia de novo:
“nossa vontade de acertar....”. Percebeu como a coragem não é o motivador, mas
sim o meio? A coragem é só a ponte que liga a vontade ao resultado, não é o
motor do carro – esse é outro segredinho que ninguém nos conta. A gente fica
esperando a coragem pra fazer as coisas, quando na verdade o que falta é a
vontade.
Todo mundo pensa diferente, todo mundo tem situações de vida diferentes, todo mundo pesa as coisas de forma diferente. O que pra mim é leve, fácil, comum pode ser o maior desafio que você já viu, e vice versa. A dica do milhão é achar o motivo pelo qual você não teria medo de fazer algo, o motivo que te faz ir atrás de algo, o motivo que te faz analisar o risco pelo que ele realmente é, e não pelo que a sua mente medrosa te conta que é. Quando isso acontecer, o medo vira piada, a coragem vira hábito e a decisão de ser mais feliz é toda sua.
O melhor está por vir, jovem gafanhoto, se você se deixar ter coragem pra aceitar a mudança que quer ver na sua vida. Vale a pena.
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