Hoje é dia de texto do papai(!) Mazza, então deixa o tio do pavê dormindo no sofá do lado da vovó assistindo o especial de Natal da Simone e vem comigo rever o que senti em 2016. Pra quem é novo, isso aqui é uma tradição que consiste em linhas pretensiosas mas verdadeiras, escritas por este que vos fala e movidas pela emoção das festas. E sim, é TEXTÃO.
Pensei muito pra escrever esse ano porque ele foi cheio de maravilhas pra nós aqui dessa lado, mas uma coisa aconteceu agora no finalzinho de 2016 que me fez reconsiderar o tema da redação. Não só isso, me fez pensar em algo realmente importante e inevitável, e não só no mundano e corriqueiro que eu costumo abordar. Hoje eu escrevo sobre ter a chance de fazer algo importante antes do fim. Parece sombrio, mas espera mais um parágrafo pra confirmar se esse é o tema real ou é só click-bait.
A gente vive a vida toda achando que o fim está longe – não só o fim bíblico, mas o fim do projeto, o fim da balada, o fim do beijo, o fim do jogo. “Ainda tem tempo” pensamos nós, e assim procrastinamos as coisas pequenas que vão nos roubar coisas importantes antes do fim. Se formos falar da vida, a discussão fica ampla demais e ninguém acompanha, então vamos dar o exemplo do Domingo, que eu sempre ouço que é o dia mais curto da semana.
O Domingo começa depois dos outros dias porque “É o único dia que eu posso dormir até tarde”, então já é mais curto; como começa mais tarde, o café da manhã vira almoço - aí então a manhã já está perdida, junto com qualquer tipo de atividade que poderia ser marcada (como aquela ida a academia ou a visita ao parente que vemos uma vez por ano). O almoço vira lanche da tarde e normalmente é regado a álcool, o que torna a tarde preguiçosa e a faz se enrolar no começo do jogo de futebol – com a tradicional hipnose coletiva que se segue até o final do dito cujo – e emenda na noite "Fantástica", aniquilando assim qualquer chance de se ler aquele livro, preparar aquela apresentação, fazer a lição de casa ou arrumar aquele armário; isso vai servir de desculpa pra que, na 2ª feira, você não tenha tempo de pensar naquela idéia de negócio pra sair do emprego, ou de ligar praquele amigo que você viu semana passada ou de preparar aquele jantar romântico pra sua esposa – tudo porque precisa “dar um jeito naquele armário”. A partir daí, a semana está imersa no trabalho e ninguém "tem tempo pra nada". Vê como as coisas pequenas (como acordar em um horário decente no Domingo) tiram o lugar das coisas importantes?
Pois bem, amiguinhxs, agora vem a parte chata: o fim está mais próximo do que a gente imagina. Pensei nisso há algumas semanas quando vi uma amiga querida tendo que lidar com isso e pensei nisso hoje novamente, quando contemplava o quanto pode ser difícil preparar o Lucca pro mundo e, ao mesmo tempo, mantê-lo perto. Pensei em quanto tempo vou ter com ele e as coisas que vão me fazer abrir mão desse tempo precioso. Pensei em como ele vai encarar o nosso tempo juntos: se vai ser uma tarefa ou um prazer, se ele vai se esforçar pra vir tomar um café conosco ou se vai preferir os amigos e, quando vir, já não teremos mais tempo. E aí lembrei que a gente é quem faz o nosso tempo, e que a ordem de importância não é uma só pra todo mundo. Lembrei que quando você faz o seu melhor antes do fim, não pula as etapas e tem as suas prioridades claras, você não se arrepende do tempo ocioso que você escolheu tirar só pra ficar sentadinho do lado de quem escolheu, sem motivo e sem hora pra ir embora. Você não se arrepende de ter deixado uma ou outra oportunidade profissional passar porque está trabalhando na sua start-up no seu tempo livre; você esquece do arremesso que errou e volta pra defesa porque é lá que o jogo é ganho, e não na jogada mirabolante que vai aparecer no jornal mas que só vale 2 pontos. E você pode estar com quem é realmente importante na sua vida enquanto o fim não chega, porque nada pode ser pior do que achar que não esteve lá quando podia estar.
Esse ano não tem anagrama, não tem trocadilho, não tem slogan pra você repostar pros seus amigos – que, a propósito, é o maior elogio que eu posso receber. O que tem desse lado é muito amor e muita vontade de despertar a vontade de que você seja melhor antes do fim. Sério. O molequinho aí da foto me move todo dia, e ele só está aqui a 3 semanas, então pense bem em quem (ou no quê) é importante faz alguma coisa antes que o tempo te passe a perna e você se pergunte: "Será mesmo que eu tinha tanto tempo assim?"
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